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A ameaça invisível das infecções hospitalares

17 Dezembro, 2005 0

Ninguém consegue vê-las ou tocar-lhes. Porém, as infecções hospitalares são a maior ameaça dos hospitais e as crianças as suas vítimas mais vulneráveis.

Há alguns meses fomos confrontados com as notícias da morte de várias crianças no Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães. Segundo os relatórios médicos, a causa de morte ficou a dever-se a uma infecção provocada por um adenovírus. Apesar das suspeitas, o relatório do Ministério da Saúde conclui que não ficou provado ter-se tratado de uma infecção hospitalar.

«É impossível controlar o ambiente num hospital», afirma a Dr.ª Rosa Barros, coordenadora da Comissão de Controlo Hospitalar e Antimicrobianos (CCIHA) e directora do Serviço de Patologia Clínica do Hospital de D. Estefânia. Há 30 anos ao serviço das crianças, a especialista explica que «todo o ambiente hospitalar potencia a infecção, uma vez que a ecologia nestes espaços é cada vez mais agressiva».

O uso indiscriminado de antibióticos em Medicina, na Veterinária e na Agricultura ajudam a perceber o aumento da resistência aos antibióticos, já que estes «permitem que as bactérias sejam seleccionadas, multiplicando-se apenas as mais resistentes», adianta.

A automedicação é outro problema com que os clínicos se deparam diariamente, pois, «nem sempre é possível fazer um diagnóstico rápido e eficaz dado que, por vezes, as crianças já estão sob o efeito de antibióticos que inibem o crescimento da bactéria, mas não a eliminam», avisa a responsável.

A imensurável quantidade de vírus e bactérias que coexistem naturalmente no ambiente hospitalar com os doentes, técnicos de Saúde e visitantes aumentam o risco de infecção. Assim, numa tentativa incessante para se manterem vivos, acabam por encontrar nos doentes e/ou acamados os alvos privilegiados para as infecções. Por sua vez, a fragilidade do sistema imunitário das crianças torna-as também muito susceptíveis às infecções.

Perigo das urgências

É do senso comum que todo o cuidado é pouco quando se fala de crianças. Se em todas as idades essa atenção deve ser permanente, de forma a impedir que o estado clínico se complique, esses cuidados devem ser reforçados até aos 2 anos, pois estão mais susceptíveis de complicações graves.

Em Pediatria, a maioria das infecções são virais, de origem respiratória e gastrintestinal. Em relação às respiratórias, a infecção tem, frequentemente, origem no vírus Influenza e no vírus Parainfluenza, sendo estes responsáveis pela conhecida síndrome gripal.

Dentro desta tipologia, também podemos incluir os adenovírus, podendo estes, tal como os rotavírus, provocar gastrenterites agudas que conduzem a diarreias, vómitos e febres altas.

O elevado grau de risco dos vírus está directamente associado à forma como são transmitidos, já que o ar, através das gotículas da tosse e dos espirros, é o meio de disseminação por excelência.

«Nas salas de espera dos serviços de Urgência as crianças estão em contacto umas com as outras. Mesmo havendo uma triagem dos doentes, é fácil haver contágio», alerta.

Por esse motivo, Rosa Barros aconselha os pais a contactarem o pediatra ou as linhas de apoio, de forma a não exporem os filhos a outros agentes infecciosos, uma vez que «o estado clínico pode agravar-se pelo simples facto de estarem na mesma sala com outros doentes».

A merecer também uma atenção especial por parte das autoridades sanitárias, a coordenadora da CCIHA alerta para a mesma vulnerabilidade das creches e infantários como potenciadores de surtos de infecção.

«Muitas vezes os pais levam os filhos doentes para a creche. Ao ficarem junto dos colegas é muito provável que estes também fiquem doentes», diz.

Desta forma, não é de estranhar que nas urgências seja comum as crianças apresentarem tosses, febres altas ou diarreias, o que significa que «podem ter estado submetidas a um mesmo tipo de vírus».

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