COMISSÃO Europeia avisa: é preciso fazer mais para travar resistências aos antibióticos
O excessivo e mau uso dos antibióticos tornou-se um fenómeno global, acelerando o desenvolvimento das bactérias e tornando algumas bactérias imunes aos medicamentos normalmente usados para os combater.
A necessidade de combater as “super bactérias” foi o tema central da última intervenção de Markos Kypriano, Comissário Europeu da Saúde (tendo por base o último relatório da Comissão Europeia sobre este assunto de 22/12/05). Para Markos Kypriano, a União Europeia precisa de acabar com o mau uso de antibióticos se quer evitar o aumento de mortes causadas pelas “super bactérias”, resistentes aos cuidados médicos.
Os Laboratórios Pfizer, conscientes da dimensão deste problema no país, desenvolveram e implementaram uma campanha de educação, informação e sensibilização públicas para o uso correcto dos antibióticos.
Realizada em parceria com o Ministério da Saúde (com participação do INFARMED e da Direcção Geral da Saúde), a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos, foi lançada a segunda fase da campanha “Antibióticos: Use-os de forma adequada”, destinada a alterar comportamentos.
Ainda segundo o Comissário Europeu, “certos tratamentos dos quais começamos a depender estão a tornar-se menos eficazes, enquanto as ‘super bactérias’ estão a causar mortes desnecessárias nos hospitais”. A tuberculose, a malária, a gonorreia, a sinusite e as infecções do ouvido nas crianças são apenas algumas das doenças que se tornaram mais difíceis de tratar por causa o uso inadequado dos antibióticos.
O fenómeno é conhecido como “resistência bacteriana” e pode ser um perigo para a saúde pública, já que os tratamentos tradicionais estão a tornar-se ineficazes.
O último relatório da Comissão Europeia enfatiza que os Estados-Membros devem desenvolver e implementar estratégias nacionais e planos de acção para lidar com este problema. A Comissão Europeia disse que gostava de ver melhores práticas em campanhas de vacinação, controlo da higiene e das infecções.
Campanha para mudar comportamentos
“Antibióticos: Use-os de forma adequada” é a campanha dos Laboratórios Pfizer que pretende alertar para os perigos da auto-medicação e da má utilização destes medicamentos. Tendo como público-alvo a população em geral, os médicos e os farmacêuticos, o mote desta campanha é “Nem sempre os antibióticos são o melhor remédio”. Depois da primeira fase da campanha, realizada em Novembro de 2004, e destinada a alertar a população para o problema, o objectivo agora é o de promover o seu uso correcto, desencorajando a auto-medicação, prevenindo a contaminação ambiental, e assim, contribuindo para a redução do desenvolvimento de resistências bacterianas aos antibióticos.
Porque o conhecimento se altera mais rapidamente do que o comportamento, esta campanha vai abranger um período de 3 anos, e ocorrerá anualmente durante os meses de Inverno. Como suportes de divulgação, estão a ser publicados anúncios nos meios generalistas – imprensa e rádio -, nos meios especializados da área da saúde, na rede Multibanco e no website www.antibioticos.com.pt .
Paralelamente, e de forma a integrar a participação activa dos profissionais de saúde e privilegiando a relação médico/doente e farmacêutico/doente, existem suportes de informação impressa nos Centros de Saúde e nas Farmácias de todo o país.
Situação nacional
Entre a população portuguesa ainda é baixo o conhecimento, não só sobre o uso correcto dos antibióticos, mas também quais os riscos resultantes da sua utilização incorrecta. A grande maioria não sabe que, pelo facto de se auto-medicar – tomando antibióticos em situações indevidas -, e por não os administrar correctamente – cumprindo as recomendações e horários das tomas e duração dos tratamentos -, está a colocar em risco a sua possibilidade de tratamento no futuro.
De entre 26 países europeus, Portugal ocupa a quarta posição no que respeita ao consumo global de antibióticos em ambulatório, subindo para o segundo lugar no caso específico do consumo das quinolonas (um grupo de antibióticos de largo espectro).
Estudo sobre o uso de antibióticos em Portugal
Neste contexto, os Laboratórios Pfizer decidiram efectuar um estudo sobre o uso de antibióticos em Portugal, realizado antes e depois da primeira fase da Campanha dos Antibióticos, por uma entidade independente.
Este estudo, destinado a testar o conhecimento e os hábitos de uso de antibióticos entre os portugueses, foi realizado também junto dos médicos, de forma a caracterizar a pressão feita pelos doentes para a prescrição.
Apesar de se verificar uma melhoria do conhecimento sobre o uso correcto dos antibióticos, pode concluir-se do estudo que a alteração efectiva dos comportamentos é mais difícil de se atingir.
Depois da primeira fase da campanha, 43% dos inquiridos ignora as situações em que o uso de antibióticos é inadequado, e 22% é da opinião de que deve tomar antibióticos para combater uma gripe. Já no âmbito da consciência sobre o impacto ambiental, um em cada três entrevistados confessa que deita no lixo as embalagens de antibióticos inacabadas, sendo que apenas 37% afirmam entregar estas embalagens na farmácia.
Entre os comportamentos que são necessários mudar, destacam-se a utilização dos antibióticos em infecções virais e o incumprimento do regime terapêutico prescrito, designadamente quanto aos horários e duração do tratamento.
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