Atenção aos perigos escondidos na praia
Encontros indesejáveis
Na água escondem-se, não raras vezes, companheiros indesejáveis ainda desconhecidos de muitos banhistas: peixe-aranha, ouriço-do-mar, alforreca e anémona.
«A picada do peixe-aranha torna-se bastante dolorosa, devido à composição química do veneno, mas uma vez aplicado um anestésico depressa se alivia esse mal-estar. Convém, apesar disso, ter atenção, pois, alguns fragmentos da espinha do peixe podem ficar cravados na pele e desencadear uma infecção. Sendo assim, será aconselhável a intervenção médica. Quando, porventura, a picada ocorre próximo de um nervo chega a paralisá-lo, causando lesões neurológicas», explica Oliveira Bernardo.
O nosso interlocutor alerta, por outro lado, para a picada do ouriço-do-mar, cuja dor é similar. Além disso, torna-se necessário verificar se existem resquícios de espinhos partidos.
As medusas, conhecidas como alforrecas, possuem órgãos urticários tóxicos capazes de provocar irritações cutâneas, sobretudo, em crianças e adultos com peles sensíveis, daí que o mais prudente seja evitar qualquer contacto com estes exemplares marinhos em forma de campânula.
Cuidados redobrados devem ter os banhistas das praias da Madeira e dos Açores, onde existem, em significativa abundância, espécies de outra família, designadas a nível local por «água-viva» e «caravela-portuguesa», que causam queimaduras e lesões graves.
Como refere Oliveira Bernardo, «a dor é de tal modo intensa que o nadador, por vezes, vê-se em dificuldades, correndo risco de afogamento».
As anémonas, coloridas e vistosas, escondidas nas poças de água, não são, igualmente, companhia aconselhável para crianças e adultos com hipersensibilidade cutânea. Os agentes irritantes que libertam provocam reacções violentas, obrigando a pessoa afectada a necessitar de acompanhamento médico.
Oliveira Bernardo faz, ainda, questão de deixar um último alerta para uma situação que, embora não esteja directamente relacionada com a prática da actividade balnear, acontece com frequência nas zonas limítrofes. Trata-se da queda em altura das falésias, de que «resulta um número de óbitos impressionante, o dobro ou o triplo dos acidentes mortais ocorridos nas praias durante o Verão».
«Mais vale prevenir…»
«Existe um conjunto de regras básicas que parecem óbvias, mas nunca é demais reforçá-las, porque poderão ajudar a reduzir os acidentes nas praias de modo significativo», afirma o comandante Oliveira Bernardo.
Por isso, aqui deixamos alguns conselhos extraídos do Manual do Nadador Salvador: – Tome banho em praias vigiadas; – Nade sempre acompanhado, mesmo que seja bom nadador; – Tome banho em locais sem algas ou limos; – Após demorada exposição ao sol, entre na água lentamente; – Depois de comer, aguarde 3 horas antes de entrar na água; – Se der saltos/mergulhos, procure locais que conheça e salte de pés; – Se sentir frio, saia da água; – Não mergulhe contra o fundo, face a ondas de forte rebentação; – Não salte de penhascos, pontões e pontes; – Dê especial atenção às crianças, pessoas idosas e não habituadas ao mar.
Sempre alerta
Durante a época balnear, de 1 de Junho a 30 de Setembro, sempre que ocorre algum incidente ou acidente nas praias onde existe um posto de vigilância permanente, cabe ao nadador-salvador fazer a análise da situação, aplicar os seus conhecimentos ou, se a gravidade o exigir, pedir socorro ao INEM, já que não está nas suas atribuições exercer actos médicos.
O curso de nadador-salvador, que é da responsabilidade do Instituto de Socorros a Náufragos, organismo técnico da Marinha, dura 23 dias e contempla quer técnicas de salvamento como as doutrinas do Suporte Básico de Vida. Os programas, em constante actualização, são delineados com a colaboração da Faculdade de Motricidade Humana.
No final da aprendizagem, o candidato é submetido a provas de natureza física, bem como a exercícios práticos e teóricos nas várias matérias, nomeadamente, Suporte Básico de Vida, rudimentos de fisiologia, técnicas de salvamento, destreza e performance física.
São todos esses conhecimentos adquiridos que irão dar ao nadador-salvador traquejo suficiente para lidar com as situações mais díspares. Desde o salvamento de qualquer banhista em perigo à desinfecção de pequenos ferimentos provocados pelas rochas, à aplicação do spray anestésico ou penso térmico para atenuar a dor da picada de peixe-aranha, ou até mesmo intervir em caso de hipertermia, procedendo ao refrescamento da pessoa afectada, que deverá ser colocada à sombra.
Para fazer face a qualquer ocorrência, o nadador-salvador recorre ao apoio logístico do chamado posto de praia obrigatório em todas as zonas vigiadas, onde estão reunidos vários instrumentos: vara de salvamento, carretel, prancha, barbatanas, bóia torpedo, bóia circular e, claro, a mala de primeiros socorros.
Saliente-se que é obrigação do concessionário de cada praia equipar o respectivo posto com os dispositivos necessários à segurança dos banhistas, ficando a responsabilidade da fiscalização a cargo das capitanias e delegações marítimas, órgãos locais da Direcção-Geral da Autoridade Marítima.

