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Atenção aos perigos escondidos na praia

23 Julho, 2007 0

«Mais vale prevenir…»
«Existe um conjunto de regras básicas que parecem óbvias, mas nunca é demais reforçá-las, porque poderão ajudar a reduzir os acidentes nas praias de modo significativo», afirma o comandante Oliveira Bernardo.

Por isso, aqui deixamos alguns conselhos extraídos do Manual do Nadador Salvador: – Tome banho em praias vigiadas; – Nade sempre acompanhado, mesmo que seja bom nadador; – Tome banho em locais sem algas ou limos; – Após demorada exposição ao sol, entre na água lentamente; – Depois de comer, aguarde 3 horas antes de entrar na água; – Se der saltos/mergulhos, procure locais que conheça e salte de pés; – Se sentir frio, saia da água; – Não mergulhe contra o fundo, face a ondas de forte rebentação; – Não salte de penhascos, pontões e pontes; – Dê especial atenção às crianças, pessoas idosas e não habituadas ao mar.

Sempre alerta
Durante a época balnear, de 1 de Junho a 30 de Setembro, sempre que ocorre algum incidente ou acidente nas praias onde existe um posto de vigilância permanente, cabe ao nadador-salvador fazer a análise da situação, aplicar os seus conhecimentos ou, se a gravidade o exigir, pedir socorro ao INEM, já que não está nas suas atribuições exercer actos médicos.

O curso de nadador-salvador, que é da responsabilidade do Instituto de Socorros a Náufragos, organismo técnico da Marinha, dura 23 dias e contempla quer técnicas de salvamento como as doutrinas do Suporte Básico de Vida. Os programas, em constante actualização, são delineados com a colaboração da Faculdade de Motricidade Humana.

No final da aprendizagem, o candidato é submetido a provas de natureza física, bem como a exercícios práticos e teóricos nas várias matérias, nomeadamente, Suporte Básico de Vida, rudimentos de fisiologia, técnicas de salvamento, destreza e performance física.

São todos esses conhecimentos adquiridos que irão dar ao nadador-salvador traquejo suficiente para lidar com as situações mais díspares. Desde o salvamento de qualquer banhista em perigo à desinfecção de pequenos ferimentos provocados pelas rochas, à aplicação do spray anestésico ou penso térmico para atenuar a dor da picada de peixe-aranha, ou até mesmo intervir em caso de hipertermia, procedendo ao refrescamento da pessoa afectada, que deverá ser colocada à sombra.

Para fazer face a qualquer ocorrência, o nadador-salvador recorre ao apoio logístico do chamado posto de praia obrigatório em todas as zonas vigiadas, onde estão reunidos vários instrumentos: vara de salvamento, carretel, prancha, barbatanas, bóia torpedo, bóia circular e, claro, a mala de primeiros socorros.

Saliente-se que é obrigação do concessionário de cada praia equipar o respectivo posto com os dispositivos necessários à segurança dos banhistas, ficando a responsabilidade da fiscalização a cargo das capitanias e delegações marítimas, órgãos locais da Direcção-Geral da Autoridade Marítima.

De acordo com as estatísticas, nos últimos nove anos registaram-se 217 mortes em praias sem vigilância e 73 nas áreas vigiadas, números que não deixam margem para dúvidas: por parte das autoridades marítimas, continua a ser pertinente levar a cabo acções de sensibilização, de forma a evitar situações de risco, sendo imprescindível aos banhistas manter o bom senso.

A chamada de atenção prende-se ainda com outro tipo de ocorrências, algumas de menor gravidade, outras, todavia, bastante preocupantes, visto poderem deixar marcas irreversíveis para o resto da vida. É o caso das lesões da coluna vertebral provocadas pelos saltos para a água.

A este propósito, o Comandante Oliveira Bernardo, relações públicas do Instituto de Socorros a Náufragos e director do Núcleo de Formação daquele organismo, alerta:

«É muito comum pensar-se que estes acidentes acontecem nos rios, em zonas de pouca visibilidade ou são provocados por saltos de grandes alturas, mas não é forçoso que assim seja. Eles dão-se, com relativa frequência, na praia, em locais em que desconhecemos a existência de obstáculos ou de profundidade inadequada; nem sequer é necessário saltar de uma plataforma elevada, pontão ou rocha. Tenho conhecimento directo de jovens com tetraplegias completas resultantes de saltos em que as circunstâncias pareciam, à primeira vista, perfeitamente normais, porém, de repente, alguém se atravessou no caminho, formou-se uma pequena onda geradora de desequilíbrio, o mar baixou, o próprio nadador não colocou as mãos à frente, na posição correcta, o salto não correu bem e daí podem resultar lesões terríveis ao nível das vértebras cervicais.»

Segundo aquele responsável, também nunca é demais chamar a atenção dos banhistas para os problemas que advêm da desidratação.

«Os cidadãos estrangeiros, pouco familiarizados com as nossas temperaturas, as crianças e os idosos são particularmente afectados», por isso, Oliveira Bernardo recomenda que haja «um cuidado suplementar em reduzir a exposição ao sol e ingerir líquidos levemente açucarados, água e fruta, para ajudar a manter o organismo hidratado».

A hipertermia, o aumento da temperatura corporal causado pelo excesso de número de horas ao sol, é outra situação frequente. Deve ser controlada, de contrário, devido à falta de sal provocada pela sudação, agravar-se-á e chegará à insolação.

A hipotermia, diminuição da temperatura do corpo, é mais comum nas praias do Norte, no entanto, registam-se casos um pouco por toda a nossa costa. Envolvem na sua maioria crianças porque, como todos sabemos, a água nunca está fria, o suficiente, para abandonarem a brincadeira.

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