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Doenças sexualmente transmissíveis » Cuidado com o contágio!

22 Julho, 2007 0

No Verão surgem, não raras vezes, novos amores. Uns solidificam-se com o passar do tempo. Outros, porém, são tão efémeros como os dias mais quentes do ano. Urge, pois, ter cuidados redobrados, sobretudo quando se conhece pouco a mais recente «paixão».

A vida sexual activa pode andar de mãos dadas com o contágio de infecções transmitidas através do contacto sexual. Estas não escolhem idade, sexo ou estatuto social. Umas matam, outras são incuráveis e para outras existe cura. Podem até provocar doenças tão graves como o cancro do colo do útero ou infertilidade. A disseminação e o contágio continuam, apenas a prevenção é comum para todas estas infecções…

«Todas as doenças sexualmente transmissíveis (DST) são inicialmente apenas infecções, pelo que é mais correcto chamar–lhes infecções sexualmente transmissíveis (IST)», esclarece o Prof. Fernando Aires Ventura, director do Departamento de Clínica das Doenças Infecciosas e Parasitárias e assistente de Doenças Infecciosas do Hospital de Egas Moniz, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e ex-coordenador da Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA (CNLCS), acrescentando:

«Um indivíduo infectado por uma doença infecciosa pode infectar o parceiro, através do contacto sexual, sem que saiba que está contaminado.»

«Os sintomas das infecções contraídas pela via sexual são muito inespecíficos, sobretudo nos homens», refere a Dr.ª Fátima Bívar, médica especialista de Ginecologia e Obstetrícia, acrescentando:

«Normalmente, as doenças infecciosas manifestam-se no aparelho genital baixo, através de corrimento, comichão e ardor. Mas, em muitos casos, pode não haver qualquer tipo de manifestação e haver infecção, ou ocorrerem alguns sintomas próprios da infecção e não haver doença.»

No entanto, todas as doenças infecciosas são passíveis de ser diagnosticadas, quer através de exames objectivos, quer através de exames laboratoriais. Os exames de laboratório fornecem o diagnóstico mediante duas etapas: a presunção, baseada em testes serológicos em que são detectados anticorpos; e a certeza, dada pelo isolamento e identificação do agente infeccioso.

Vírus, bactérias e parasitas
A infecção por VIH (vírus da imunodeficiência humana), que provoca a SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida), a infecção por VPH (vírus do papiloma humano), que pode originar condilomas (doença sexualmente transmissível designada popularmente por «esponjas»), a hepatite B e o herpes genital são doenças venéreas causadas por vírus.

A gonorreia («esquentamento»), a sífilis («cancro duro»), a infecção por clamídia e a úlcera mole venérea («cancro mole») são causadas por bactérias. Finalmente, a pediculose púbica («chatos»), a escabiose («sarna»), a candidíase vulvovaginal («cândidas») e a infecção por tricomonas são causadas por parasitas.

«As doenças venéreas mais difundidas, originadas por vírus, são as infecções por VIH e os herpes genitais. Para os vírus do VIH, actualmente, não existe cura ou vacina; o herpes genital também é incurável e o doente infectado está sujeito a tratamentos regulares», aponta Fernando Ventura, referindo:

«Muito comum nas mulheres, mas de fácil tratamento, são as infecções provocadas por parasitas, sendo a infecção por tricomonas e a candidíase vulvovaginal as mais difundidas. A sífilis, actualmente curável, mas em contínua ascensão, é a infecção mais difundida, originada por bactérias.»

O grau de evolução da infecção e a forma como se manifesta, bem como as respectivas consequências, dependem do organismo infectado.

«A hepatite B e as infecções por VIH são incuráveis. A hepatite B tem um espectro clínico variável que vai desde a doença sintomática até ao desenvolvimento progressivo de cirrose. Mas para a hepatite B, pelo menos, existe uma vacina», salienta o ex-coordenador da CNLCS.

«As infecções pelos vírus VPH são assintomáticas, excepto numa fase avançada, em que podem originar condilomas e, eventualmente, cancro do colo do útero», menciona Fátima Bívar.

«A clamídia e a sífilis podem provocar infertilidade e originar gravidezes ectópicas nas mulheres», esclarece.

Além da disseminação, as consequências das infecções sexualmente transmissíveis podem estender-se aos recém-nascidos, assim como agravar a infecção da grávida:

«Se a mãe estiver infectada com sífilis poderá transmitir a infecção ao recém-nascido, causando-lhe sífilis congénita, cuja consequência poderá ser a alteração da morfologia da face. Se durante a gravidez a mulher estiver infectada com tricomonas ou clamídia, o tratamento pode ser feito durante a gestação, normalmente sem consequências nem para a futura mãe nem para o feto. Já se a mulher sofrer de uma infecção VPH não prejudica o feto, mas a gravidez influencia negativamente as manifestações desta infecção», esclarece Fátima Bivar.

«A hepatite B não afecta a gravidez, mas o recém-nascido carecerá de cuidados redobrados, sobretudo as condições do seu estado imunológico e, eventualmente poderá nascer com esta doença. Se a mulher for seropositiva não transmite obrigatoriamente o vírus ao feto. O risco de transmissão ocorre durante o parto, por isso a prevenção, através de antivíricos, é feita no final da gravidez e intraparto», diz a ginecologista, salientando que «a transmissão do VIH e da SIDA da mãe para o recém-nascido depende da carga viral da grávida, não sendo negligenciável».

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