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Dr. Rui Marinho, especialista em doenças do fígado: “Evite o consumo excessivo de bebidas alcóolicas” » 10 % dos portugueses sofre do fígado

9 Janeiro, 2007 0

O Jornal do Centro de Saúde dedica este mês, especial destaque ao maior órgão do corpo humano: o fígado. Para isso, entrevistou o Dr. Rui Marinho, um especialista na matéria. Para além de Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa, é também o Secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.

Cerca de 2 000 portugueses morrem todos os anos com cirrose hepática e “calcula-se que cerca de 8 a 10% dos portugueses tenham problemas do fígado”. Sabia que o álcool é o maior responsável por estes números? Conheça melhor as doenças de fígado e saiba o que deve fazer para não fazer parte da estatística.

O fígado é o maior orgão do corpo humano e pesa cerca de 1,5 quilogramas. Localiza-se na porção superior do abdómen, à direita, por debaixo das costelas. O fígado normal é liso, mole e castanho escuro. Funciona como uma fábrica que produz e armaneza produtos químicos. Tem múltiplas funções:

• Produção de proteínas, bílis e substâncias relevantes na coagulação do sangue.

• Armazenamento de energia importante para os músculos.

• Regulação de muitas hormonas e vitaminas.

• Eliminação de medicamentos e toxinas incluindo o álcool.

• Manter a concentração de açúcar no sangue dentro dos valores normais.

• Filtra o sangue proveniente do estômago e intestinos.

• Importante na defesa do organismo contra as infecções.

Quais as principais doenças de fígado dos portugueses?

A doença mais grave que mata quase 2 000 portugueses por ano é a cirrose hepática. O cancro do fígado, consequência da cirrose tem vindo a aumentar. A causa principal de cirrose é, de longe, o consumo excessivo de álcool. Em segundo lugar vem a infecção pelo vírus da hepatite C.

Na actualidade, são muito frequentes as alterações do fígado resultantes da deposição de gordura no fígado (chamada esteatose) por causa da obesidade, diabetes, elevação do colesterol, etc. Esta situação, nalguns casos (10-15%) pode evoluir para cirrose.
Calcula-se que cerca de 8-10% dos portugueses tenham problemas do fígado.

Que hábitos devem ter os portugueses para evitar as doenças de fígado?

O mais importante é evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Deve-se promover a vacina da hepatite B de forma mais ampla. Quanto à hepatite C, actualmente, os grupos de maior risco são os toxicodependentes e aqueles com relações sexuais de risco (múltiplos parceiros, relações desprotegidas).

Deve promover-se com muito ênfase a não partilha de seringas ou outro material utilizado no consumo de drogas, bem como o uso do preservativo.

Outro ponto muito importante é evitar e corrigir a obesidade, já que ela pode provocar a acumulação de gordura no fígado que nalguns casos evolui para cirrose. Logo, é fundamental promover uma alimentação saudável, sem gorduras, sem doces, sem açúcar, com vegetais, muitos legumes e fruta.

É igualmente muito importante o exercício físico regular: pelo menos ande três vezes por semana durante 30 minutos, sem parar. Vai viver mais anos e mais saudáveis se seguir estes conselhos!

Pode afirmar-se que o álcool é um dos principais responsáveis por doenças de fígado?

O álcool é o principal responsável de longe pela cirrose que é uma doença muito grave, não só porque pode causar a morte por si mesma, como também evoluir para o cancro do fígado, quase sempre mortal.

A ingestão de álcool em excesso equivale a mais de duas ou três bebidas no homem e mais de uma a duas na mulher por dia, por um período superior a cinco anos.

Para este efeito considera-se que um copo de vinho, uma cerveja, um copo de uísque, um “shot” ou um copo de vinho de Porto contêm idêntica quantidade de álcool. No caso da ingestão ocasional num curto período de tempo (por exemplo no fim-de-semana), o homem não deve exceder cinco bebidas e a mulher quatro bebidas numa só ocasião.

Em que casos e para que doentes se adequa o transplante de fígado?

O transplante do fígado já é efectuado em Portugal há quase quinze anos e com sucesso em 80% dos casos, em tudo idêntico aos melhores centros estrangeiros. Efectuam-se cerca de 200 por ano. De um modo geral, está indicado nos doentes com cirrose hepática em estado avançado (chamada descompensada) e em doentes com cancro do fígado.

A maioria dos doentes com cirrose hepática não apresentam sintomas. O aparecimento desta doença é silencioso. Pode desenvolver-se durante muitos anos sem que estes se apercebam. Em muitos casos o médico apercebe-se da existência da cirrose através de análises sanguíneas ou dos resultados da ecografia abdominal. Este período sem sintomas é a chamada fase da cirrose hepática compensada.

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