A Saúde dos Portugueses. Mais vale prevenir. Nós e o SNS
Nascemos com determinado capital de saúde. Se não investirmos na sua preservação e manutenção perdemos nós, perde o SNS e a economia nacional. Assim sendo, o controlo das despesas da saúde passa pela prevenção, a título individual, e por políticas e programas de prevenção, promoção e educação para a saúde.
Se conseguirmos manter hábitos de vida saudável o retorno é o nosso bem-estar e a alegria de viver e, ainda, uma poupança significativa de despesas com: consultas médicas, tratamentos, meios de diagnóstico, deslocações, etc. e a baixa de rendimento por dias de trabalho perdido, por doença e/ou por incapacidade de trabalho.
Esta atitude deve encontrar no SNS uma fonte de apoio e de estímulo para hábitos de vida saudável: alimentação racional; prática de exercício ao ar livre; ocupação saudável dos tempos livres e ser livre de dependências de droga, álcool, tabaco, jogo e outras.
A atitude cívica no emprego, na estrada e na escola também devem ser factores de motivação e de prazer de viver que podem ajudar a criar de condições de satisfação pessoal, familiar e cívica, e que promovam a satisfação individual e colectiva dos portugueses.
Em Portugal, somos recordistas de indicadores negativos e factores de risco de saúde, em termos de mortalidade e morbilidade, associadas aos problemas cardíacos, vasculares, oncológicos, sinistralidade e acidentes de trabalho, os quais nos colocam mal no ranking europeu.
A progressão positiva nos indicadores da lista negra passa pela dinamização de programas de prevenção pessoal, familiar e colectiva.
O abandono progressivo dos nossos hábitos alimentares (dieta mediterrânica) levaram-nos a prejudicar a nossa dieta base nas nossas casas, nas escolas (porque não fornecer um copo de leite fresco às refeições), nos refeitórios dos hospitais, empresas, restaurantes (nas cidades talvez fosse bom fazer exercício e optar por um restaurante a 10/15 minutos do local de trabalho) e cafetarias.
Nem o nosso baixo rendimento nos salva. Trocamos fruta por refrigerantes e doces (troca desfavorável, em termos nutritivos e de despesa). Trocamos água e leite por outras bebidas e gelados (troca desfavorável, em termos nutritivos e de despesa).
Em vez do lazer ao ar livre utilizamos os computadores, os centros comercias (troca desfavorável, em termos de qualidade de vida e de despesa). Esquecemos as vantagens do pão escuro. Corremos para a praia e abandonamos o campo (troca desfavorável, para muitas situações).
Aceitamos desafios profissionais com elevado stress em prejuízo do nosso equilíbrio emocional, dos nossos filhos e restante agregado familiar.
O SNS e a política de saúde não enquadra, na minha perspectiva, tanto quanto devia, a prevenção como factor determinante do bem-estar e qualidade de vida dos portugueses e, ainda, com elevado contributo para a sustentabilidade hoje e, especialmente, no futuro, do SNS.
A sabedoria popular diz-nos, há muito tempo, que mais vale prevenir que remediar. Ora, é fácil verificar que os nossos hábitos saudáveis foram-se degradando nos últimos anos (na alimentação, hábitos de vida e qualidade de vida).
Em vez do azeite, feijão e grão, optamos pelo óleo e pela massa. Em vez do copo de vinho escolhemos a cerveja e bebidas não tradicionais da nossa região e clima. Elegemos os fritos, os refogados e temperos não tradicionais, e deixámos os cozidos da cozinha portuguesa.
Importamos a «fast food» e as refeições modelo universal. A batata frita está a substituir a batata cozida e o puré de batata. As carnes vermelhas conquistaram espaço ao peixe e às carnes brancas. A sopa, apesar de não tão substancial, parece estar a regressar.
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