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A Saúde dos Portugueses. Mais vale prevenir. Nós e o SNS

8 Novembro, 2007 0

Comer uma maçã por dia, como reza um famoso dita­do inglês, reforça a nossa saúde (era um hábito muito ajustado para o lanche da escola das nossas crianças e para o trabalho dos adultos).

Aprendi com o médico nutricionista Prof. Rego de Aguiar que a regra base da alimentação racional é «comer de tudo e não abusar de nada».

As doenças profissionais modernas também aumentam em larga escala, resultantes da concentração urbana, baixa qualidade do ar, de edifícios modernos, climatizados e doentes, sem renovação adequada de ar fresco e até claustrofóbicos (que o digam tantos profissionais, em edifícios modernos, inteligentes, mas muito desumanizantes).

A construção do nosso bem-estar colectivo, assente num modelo preventivo, ajuda-nos hoje, e mais, garante o nosso sucesso e a progressão favorável no ranking dos indicadores sanitários e de qualidade de vida, e ajuda ao controlo das despesas com a saúde.

A médio prazo (ano 2010) precisamos de reduzir (só possível com programas de prevenção individual, familiar e colectivo) para 50% o número de fumadores e a taxa de sinistralidade rodoviária e do trabalho.

A alteração de hábitos alimentares e a prática de exercício física permitirá, a longo prazo (2015), a poupança de recursos volumosos em: pessoal de saúde; medicamentos; meios de diagnóstico; tratamento e reabilitação; internamento hospitalar, etc. e poderão ajudar a garantir a sustentabilidade do SNS, consequência da redução de factores de risco de mortalidade e morbilidade.

Outros países já o conseguiram. O nosso futuro saudável depende de nós e da política de governação da saúde e do seu modelo de educação para a prevenção e promoção da saúde.

Porque não criar prémios no SNS para: «hospital sem tabaco», «escola sem tabaco», «empresa sem tabaco», «família saudável», «empresa saudável», «vila saudável», «freguesia saudável», de forma a estimular comportamentos e hábitos de vida saudável ao nível dos indivíduos, das famílias, das empresas e dos agregados populacionais.

O aumento da nossa competitividade e produtividade também passa por aqui.

A globalização e agressividade do comércio precisa da nossa cultura defensiva (assente em mais informação, conhecimento, auto-estima e amor-próprio) e de um enquadramento legal que previna a nossa incúria e desleixo pessoal e colectivo.

Aprendi com Peter Drucker que «a mudança conceptual que se perspectiva levará os cuidados de saúde a deixarem de ser definidos como uma luta contra a doença para passarem a ser definidos como a manutenção do funcionamento físico e mental da pessoa.»

Se cuidarmos do nosso capital de saúde, prevenimos a sua degradação e poupamos: mal-estar, dor e muito dinheiro (todos sabemos que estar doente fica muito caro em Portugal).

Só podemos construir o nosso futuro individual e colectivo, em termos da nossa qualidade de vida, se tivermos absoluta consciência do impacto positivo a médio e longo prazo, dos modelos de prevenção que aplicarmos, desde já.

Para Leriche, «A saúde é a vida no silêncio dos órgãos» e, como disse um poeta, «se queremos prolongar a vida, basta não fazer nada para a encurtar».

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