Tosse sem tréguas
É uma tosse persistente a que denuncia a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, mas nem por isso muito valorizada: é que os doentes, fumadores, vão-se habituando e só agem quando o ar lhes falta vezes demais.
A tosse está quase sempre presente. E, com ela, a expectoração matinal, o tão característico “catarro” dos fumadores. As queixas respiratórias vão passando despercebidas até que se tornam cada vez mais comuns e mais intensas. As constipações e as gripes são habituais e o cansaço surge ao menor esforço.
É assim que evolui a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Lenta mas progressivamente, as vias respiratórias inferiores vão ficando obstruídas: a passagem de ar é dificultada e, em consequência, respirar exige um esforço acrescido.
Este bloqueio pode acontecer a nível das chamadas vias respiratórias, – brônquios e bronquíolos, e os reservatórios de ar, os alvéolos, semelhantes a pequenos sacos dispostos em cachos. Quando respiramos – e fazemo-lo através da traqueia – o ar move-se através dos tubos brônquicos em direcção aos alvéolos: daí o oxigénio entra no sangue, enquanto o dióxido de carbono faz o percurso inverso.
Nesta doença, o revestimento dos brônquios e bronquíolos fica inflamado, provocando uma produção excessiva de muco. É este muco que vai bloqueando as vias respiratórias e, em consequência, dificultando a passagem do ar. Também os alvéolos podem ficar irritados: dilatam-se, as suas paredes entram em colapso e deixam de conseguir reter ar em quantidade suficiente, o que dificulta as trocas ao nível do sangue.
Tabaco, o culpado nº 1
A marca da DPOC é uma agressão das vias respiratórias, com a culpa a poder ser imputada na grande maioria das vezes – calcula-se que em 90 por cento dos casos – ao tabaco. O tabagismo é, de facto, o factor de risco predominante, mas apenas entre 15 a 20 por cento dos fumadores desenvolvem a doença a um grau suficientemente grave para causar sintomas. O que se sabe é que à medida que a carga tabágica se acentua vão aumentando a frequência, gravidade e mortalidade associados à DPOC.
O fumo do tabaco não é, contudo, o único factor de risco. A poluição, atmosférica ou ocupacional, assume também proporções crescentes: a exposição a partículas poluentes e gases tóxicos desencadeia uma contracção excessiva dos músculos que rodeiam os brônquios e uma reacção inflamatória que afecta os pulmões e as trocas gasosas.
Influência tem igualmente a hereditariedade, por via de uma deficiência na enzima alfa1-antitripsina (AAT): sem esta enzima, os pulmões vão perdendo elasticidade, o que, com o tempo, conduz à obstrução do fluxo de ar.
É por volta dos 40 anos que os primeiros sintomas da DPOC se declaram, geralmente em pessoas com um longo historial de tabagismo. E, quase sempre, do sexo masculino. Mas com tendência para aumentar entre as mulheres.
Os especialistas consideram que, fumando o mesmo, as mulheres correm o mesmo risco de desenvolver a doença. Dado que os sintomas se instalam discretamente, é muitas vezes quando a doença já está avançada que se faz o diagnóstico. Até então as queixas respiratórias são aceites como normais, próprias do hábito de fumar ou então consideradas o reflexo do avançar dos anos.

