Tosse sem tréguas
Primeiro surge a tosse, acompanhada de expectoração. Depois a pieira e a dispneia (falta de ar). Mais tarde respirar tornar-se árduo, mesmo ao menor esforço. Ao mesmo tempo instala-se o cansaço, a perda do apetite e de energia, já que os músculos respiratórios e periféricos (pernase braços) são igualmente atingidos pela inflamação que ocorre na doença. São também frequentes nos doentes mais graves os episódios de falta de ar na maioria das vezes associados a infecções – são chamadas as exacerbações ou agudizações da DPOC.
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Este é um percurso incapacitante, na medida em que limita bastante as actividades quotidianas e afecta claramente a qualidade de vida. Um percurso conhecido por cerca de cinco por cento da população portuguesa.
Com custos elevados: para o próprio doente, naturalmente, pois no extremo é a sobrevivência que está em causa, mas também para o sistema de saúde, pois esta é uma doença que consome muitos recursos, entre medicamentos e hospitalizações.
Crónica, mas controlável
Como doença crónica, a DPOC não tem cura: é uma doença para a vida toda, mas que se pode controlar. O tratamento está disponível e, segundo as normas internacionais, tem como objectivos prevenir a progressão da doença, aliviar os sintomas, melhorar a tolerância ao exercício e o estado de saúde, prevenir e tratar as complicações e as exacerbações (crises) e reduzir a mortalidade.
Fundamental é reduzir ou “mesmo eliminar” a irritação pulmonar. Sabendo que os agentes irritantes mais comuns são o tabaco e os poluentes, limitar a exposição a estes dois factores é mandatório. O primeiro passo é, pois, deixar de fumar. Está demonstrado que é possível abrandar o declínio da função pulmonar, ainda que os danos já ocorridos não sejam reversíveis.
Quando a função pulmonar está já comprometida, deixar de fumar não é suficiente, sendo necessária uma terapêutica farmacológica com recurso a dois grupos de medicamentos: os broncodilatadores e os corticosteróides.
Considerados a pedra angular do tratamento da DPOC, os primeiros actuam sobre os canais brônquicos, dilatando-os e facilitando a passagem de ar. Já os segundos, possuem uma função anti-inflamatória, deles beneficiando em particular os doentes que sofrem de crises frequentes. Uns e outros são inalados, sendo o uso correcto do dispositivo inalador essencial para a eficácia da terapêutica.
A Reabilitação Respiratória, incluindo o treino de exercício, não deve nem pode ser esquecida como complemento de um plano global de tratamento. Ajuda os doentes a viverem com as suas limitações do dia-a-dia.
Uma outra intervenção, dirigida às situações de maior gravidade, envolve a oxigenoterapia, no domicílio ou na unidade de saúde. Trata-se do fornecimento de oxigénio através de um equipamento específico: melhorando a oxigenação do sangue, conseguemse ganhos a nível do desempenho físico e intelectual do doente, com reflexos positivos na qualidade de vida.
Nos doentes com doença grave/muito grave, podemos ter que recorrer à utilização de máquinas (na unidade de saúde ou domicílio) – os ventiladores – quando as outras medidas já não são eficazes.

