Saúde Oral: Sorria sem medo
Nomes como cirurgias, pontes, cáries, aparelhos, tártaro, flúor, pastas, obturações, gengivites, infecções entre muitos outros fazem parte do nosso imaginário. Tentámos abordar todos eles para que fique a saber tudo o que precisa acerca da sua saúde oral e para ter um melhor sorriso.
«A Saúde Oral em Portugal não é brilhante, mas está a melhorar». Esta é a convicção do Dr. Pedro Santos, médico dentista há mais de onze anos e médico de clínica geral. Os factores que levam a que a situação não seja melhor prendem-se com o facto de que só existe saúde oral em Portugal há cerca de 30 anos. Anteriormente eram apenas os estomatologistas que tinham a cargo esta área da saúde. Um outro motivo estava forçosamente interligado com a dificuldade de acesso à medicina dentária através do Serviço Nacional de Saúde. Pensar em ir ao dentista é sempre ficar com a ideia de clínicas privadas e custos altíssimos na cabeça. O alheamento do Serviço Nacional de Saúde é, para muitos, um mistério, mas o dentista avança como possível justificação o facto de que «a medicina dentária é muito cara. Os materiais são muito caros, tanto mais que do pouco que se faz no serviço público, está apenas associado ao tratamento, descurando por completo a parte da prevenção e da reabilitação. Se alguém não tem dinheiro para ir a um privado, arrisca-se seriamente a ter uma saúde oral deficiente». Toda esta situação assume contornos ainda mais relevantes se atendermos ao nível de vida dos portugueses, pois, «sei de casos em que ficou mais barato irem ao Brasil fazer um tratamento completo, do que pagar só o custo do material cá em Portugal. São situações económicas muito diferentes. Creio mesmo que no nosso País a solução de futuro passará pelas seguradoras com os cartões de saúde», referiu o médico-dentista. Actualmente, e graças a directrizes da Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde implementou um programa gratuito nas escolas que tem como propósito promover a educação oral nas crianças. Higienistas e dentistas deslocam-se às escolas e fazem rastreios, aplicam flúor, despistam cáries e ensinam a escovar como deve ser os dentes. É uma iniciativa com resultados a longo prazo, mas Pedro Santos acredita ser este o caminho, pois, «as crianças mais tarde vão ser pais e, se souberem como escovar os dentes como deve ser, como ter uma boa saúde oral, ensinarão isso aos seus filhos. Actualmente, nota-se que muitas crianças foram mal ensinadas. Eu, por exemplo, só soube escovar os dentes correctamente quando estava na faculdade».
Uma boa escova de dentes «O que é verdadeiramente relevante na limpeza dos dentes é a remoção mecânica da sujidade, isto é, o escovar correctamente os dentes. Não que as pastas em si não tenham utilidade, mas o escovar correctamente os dentes é que pode fazer a diferença», afirma Pedro Santos. Somos bombardeados com publicidade. Escovas que retiram mais a sujidade, outras que não magoam as gengivas; a pasta que branqueia mais os dentes e a outra que contém flúor; este elixir ou aquela nova escova eléctrica que garante uma maior eficácia. Apesar de haver uma grande possibilidade de escolha, essa mesma possibilidade traz com ela um novo problema: como escolher o que é mais adequado para cada situação? A primeira questão que convém salvaguardar prende-se com a individualidade de cada situação. Ninguém melhor do que um profissional de saúde, que poderá fazer uma análise mais concreta de cada situação, para aconselhar este ou aquele produto. No entanto, há certas particularidades que se podem ter em conta e que poderão permitir uma escolha mais acertada. Segundo o médico-dentista, «as escovas devem sempre ser macias para não ferirem as gengivas. As pessoas podem pensar que por escolherem uma escova mais dura isso vai implicar uma maior limpeza porque esfregam os dentes com mais força, mas só vai fazer com que se agridam as gengivas, o que poderá causar outros problemas. O que é macio ou duro é que pode ser complicado de definir. O ideal é escolher sempre macio e, se conseguirem, ver a diferença entre as respectivas marcas. Elas devem ter as escovas inclinadas e cruzadas para conseguirem entrar melhor nas saliências dos dentes, tendo uma parte central mais direita que vai permitir uma maior cobertura da parte mais visível dos dentes». Relativamente às diferenças entre escovas eléctricas e escovas “normais”, as primeiras só ganham vantagem se forem utilizadas para escovar os dentes de outras pessoas, isto é, dos filhos ou de pessoas acamadas. Caso contrário, se for para uso próprio, não há grande vantagem, pois, o importante é o escovar de forma correcta. As pastas dentífricas e o uso de fio dental Um outro campo onde há uma grande panóplia de possibilidade de escolha é o das pastas dentífricas. Se já as marcas são dezenas, as várias ofertas dentro das marcas complicam ainda mais a selecção. «A grande vantagem das pastas é que existem pastas específicas para problemas específicos. É uma questão de as pessoas verem se têm algum problema, falarem com o dentista e escolherem a pasta que mais se adequa à sua situação. A única coisa que devem evitar são as pastas branqueadoras, pois a grande maioria delas branqueia os dentes por abrasão, isto é, vai desbastar o esmalte, tornando os dentes mais brancos mas, simultaneamente, mais fracos», refere Pedro Santos.

