Saúde Oral: Sorria sem medo
Outra questão que pode levar a engano está relacionada com o local onde se adquirem os produtos de higiene oral, quer sejam escovas, pastas ou elixires. Muitas dessas opções estão relacionadas com a escolha dos próprios fabricantes em colocarem os seus produtos em farmácias ou supermercados e não necessariamente com a eficácia ou segurança de um ou outro produto. Outros utensílios bastante eficazes na limpeza dos dentes são o fio dental, a fita dentária e o escovilhão. Segundo o especialista, «eu prefiro a fita dentária em vez do fio. É maior, logo vai cobrir uma maior área de limpeza entre os dentes. O escovilhão é também muito útil, principalmente em pessoas que já têm uma considerável distância entre os dentes, pois, permite uma limpeza eficaz nesses casos». Prevenção e tratamento Além das questões que estão relacionadas com a prevenção, há certas situações que requerem cuidados médicos no que respeita à Saúde Oral. Problemas hereditários, deficiente higienização, com a consequente perda de dentes, ou acidentes que podem alterar a estrutura dentária, entre muitos outros. «A cavidade oral é muito importante como espelho do nosso estado de saúde», refere o Prof. Francisco Salvado, médico especialista em Estomatologia do Hospital de Santa Maria e regente da Cadeira de Cirurgia Oral no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. De entre os vários problemas que podemos enfrentar há um que se encontra em clara maioria. Segundo o especialista, «cerca de 90% da população é ou foi afectada pela cárie dentária». Mas, para além da cárie dentária, outras afecções são também muito frequentes: as doenças das gengivas, as lesões das mucosas, como as aftas, e, finalmente, o cancro oral. Todos os anos surgem cerca de 1000 novos casos de cancro oral, principalmente em fumadores e alcoólicos, de tal modo que «um grande fumador e consumidor de bebidas alcoólicas tem uma forte probabilidade de desenvolver cancro oral». Algumas doenças sistémicas podem apresentar manifestações orais, isto é, doenças que não são conhecidas com doenças orais, mas que se manifestam na cavidade oral, como a diabetes, algumas doenças reumatismais e problemas infecciosos ou do sistema imunológico, como os sarcomas de Karposi em seropositivos. Embora algumas destas doenças possam ser ultrapassadas com tratamentos mais ou menos agressivos, o importante é apostar na prevenção. Uma cárie pode levar à perda de um ou mais dentes, uma afta ou uma pequena úlcera pode ser o início de um tumor e um cancro oral pode levar a uma intervenção cirúrgica com consequências bastante mutilantes, como a remoção da língua ou da faringe. «A prevenção não é só higiene oral. Infelizmente, relaciona-se muitas vezes a prevenção somente com o acto de “limpar” os dentes. Também se faz prevenção ensinando a auto observação da boca. Tal como se faz a prevenção do cancro da mama através da auto-avaliação (a própria mulher participa na prevenção observando e palpando o órgão mamário), também se deve fazer prevenção observando a boca. Analisar a cavidade oral não é apenas avaliar o estado dentário. É ir, para além disso, inspeccionando as gengivas, a língua e toda a mucosa da boca» sustenta o médico.

