Primeiro ensaio ibérico de hipertensão - Médicos de Portugal

A carregar...

Primeiro ensaio ibérico de hipertensão

1 Dezembro, 2004 0

O grupo Bial promoveu recentemente uma reunião de apresentação dos resultados do primeiro ensaio ibérico de hipertensão, denominado IMISH – Iberian Multicentre Imidapril Study on Hypertension –, desenvolvido pelo Departamento de Investigação e Desenvolvimento do grupo.

O evento, realizado na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, contou com a presença de médicos das especialidades de Cardiologia e Medicina Interna e de Clínica Geral.

O programa da reunião, moderada pelo Prof. Gorjão Clara, coordenador do Centro de Investigação do Instituto Nacional de Cardiologia Pre­ven­tiva, contemplou vários ângulos de discussão em torno da hipertensão arterial, doença cardiovascular actualmente responsável por uma em cada oito mortes a nível mundial.

Com os factores de risco a marcar a agenda dos profissionais de saúde, coube ao presidente da Associação Portuguesa de Hipertensão Arte­rial (APHA), Prof. José Carmona, dar início às apresentações, numa intervenção alusiva ao «Risco cardiovascular». José Carmona lembrou que a maior parte dos doentes hipertensos deve ser considerada em risco elevado para doença cardiovascular, uma vez que em 80% dos casos existe pelo menos outro factor de risco associado.

«Portugal é, na Europa, o país que mais AVC tinha há cerca de 15 anos e em 1999 o cenário não tinha melhorado», registou o presidente da APHA, que aproveitou a ocasião para fazer uma incursão pelo exemplo americano, adiantando:

«A Associação Americana de Hipertensão pretende que haja um controlo de 50% dos doentes.»

José Carmona deixou ainda um alerta ao afirmar que «a hipertensão mal tratada e mal controlada é a terceira causa de morte a nível mundial».

«IECA Vs ARA II – protecção de órgãos–alvo» foi o tema que se seguiu, numa apresentação conduzida pelo Prof. Eduardo Teles Martins, director do Hospital da Marinha e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.

«O número de fármacos utilizados justifica o envolvimento da indústria farmacêutica, tanto mais que a evidência científica sobre os benefícios do tratamento da hipertensão é inequívoca», disse Teles Martins.

O professor justificou ainda que «em todos os tipos de hipertensão está evidenciado que a lesão dos órgãos-alvo resulta numa diminuição do risco, desde que instituída uma terapêutica».

Maior eficácia do imidapril
face ao candesartan

A reunião avançou então para a discussão em torno do estudo IMISH, que esteve a cargo do Dr. Pedro Silveira, do Departamento de Investigação e Desenvolvimento do grupo Bial.

«Qualquer fármaco controla a pressão arterial, mas isso não basta. Temos de controlar todos os factores de risco», afi­r­­­mou o investigador, dando, assim, início à apresentação dos resultados da investigação.

O estudo IMISH é um ensaio clínico que avaliou a eficácia e a tolerância de imidapril versus candesartan, tendo envolvido 144 doentes com hipertensão ligeira e moderada, distribuídos por 12 centros médicos de Portugal e Espanha. Todos os doentes foram avaliados com MAPA de 24 horas.

Com uma biodisponibilidade oral de cerca de 70% e um efeito máximo atingido às 7 horas após administração, o imida­pril apresenta uma duração de acção e uma semivida superio­res a 24 horas, o que permite um esquema de uma única toma por dia. As doses tera­pêuticas variam entre 2,5 e 20 mg/dia.

Os principais objectivos do IMISH foram os de avaliar alterações ao valor base da monitorização ambulatória da pressão arterial, comparar taxas de resposta com medição causal da pressão arterial e comparar a incidência e a gravidade de efeitos adversos.

Por outro lado, o ensaio – que teve a duração de 12 semanas – foi realizado exclusivamente em centros de Portugal e de Espanha. Isto porque a maioria dos estudos realizados e publicados é de origem norte-americana ou, quando realizados na Europa, são multicêntricos e em vários países, o que se afasta da reali­dade nacional. O estudo IMISH teve, assim, a particularidade de mimetizar a realidade Ibérica, em termos de características genéticas, epidemiológicas e alimentares.

Os grupos de doentes imidapril e candesartan eram semelhantes: 2/3 dos doentes tinham patologias concomitantes e tomavam medicação concomitante. Os principais resultados mostraram que no controlo da pressão arterial diastólica (PAD) há reduções importantes e similares com o imidapril e com o candesartan, situação também verificada em relação à pressão arterial sistólica (PAS).

Quanto à proporção de respondedores (percentagem de doentes com normalização de PA – menor de 140/90 mmHg – e/
/ou redução maior de 20% na PAS ou maior de 10% na PAD), há uma percen­tagem superior com o imidapril (mais 12%).

O imidapril revela ainda superioridade relativamente ao candesartan quando são considerados os doentes vulgarmente desi­g­­­­nados por «dippers» (redução da PA de pelo menos 10% durante o sono), cuja proporção aumentou com o imidapril e diminuiu com o candesartan. A carga tensional nas 24 horas foi menor com o imidapril do que com o candesartan e em ambos os grupos a necessidade de titulação da dose para controlo de tensão arterial ocorreu de forma similar. Por fim, refira-se que na dose 20 mg/dia o imi­dapril foi muito bem-tolerado e reve­lou excelente eficácia.

Com este novo estudo agora apresentado deu-se mais um importante passo no combate às doenças cardiovasculares, sobretudo pela proximidade dos números à realidade nacional.

Gorjão Clara terminou o encontro reafirmando o principal objectivo da investigação: «O importante é baixar a pressão arterial para reduzirmos o risco.»

Páginas: 1 2

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.