Perturbações do Ritmo Cardíaco
Enfarte do miocárdio
Em caso de ocorrência de um enfarte do miocárdio estamos normalmente na presença de doença coronária e um ou mais vasos sanguíneos ficam de repente totalmente obstruídos. Os sintomas são dores agudas na zona do peito, que podem espalhar-se até ao braço esquerdo, pescoço, estômago, costas ou ombro direito. Muitos doentes sobrevivem a um enfarte do miocárdio através da administração rápida de primeiros socorros qualificados. As possíveis consequências de um enfarte do miocárdio incluem arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca.
Arritmias
Várias doenças ou alterações no coração podem conduzir a uma perturbação no ritmo cardíaco. Esta perturbação pode ocorrer sob a forma de um ritmo excessivamente lento, da ausência ocasional de um ou mais batimentos ou de um número excessivo de batimentos rápidos por minuto.
Uma arritmia é um problema relacionado com o ritmo dos batimentos cardíacos. Se o ritmo cardíaco for demasiado lento (inferior a 50/60 batimentos por minuto), é designado como bradicardia, se por outro lado o coração bater de forma muito rápida (mais de 100 batimentos por minuto), estamos perante uma taquicardia. Quando existe um impedimento á normal progressão dos estímulos cardíacos dentro do coração estamos em presença de um bloqueio que em certas situações pode levar à falta de um ou mais batimentos cardíacos.
Em qualquer uma destas situações, quando o coração bate de forma irregular, o bombeamento de sangue para as várias partes do corpo, pode não ser conseguido, colocando em perigo órgãos vitais como o cérebro, os pulmões, entre outros.
Por outro lado, as arritmias podem estar localizadas nas aurículas ou nos ventrículos do coração.
A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais frequente e caracteriza-se por ser um batimento irregular nas aurículas. As pessoas com fibrilhação auricular têm um batimento das aurículas várias vezes superior ao do resto do coração, o que leva a uma corrente sanguínea irregular e à formação ocasional de coágulos sanguíneos, que podem viajar até ao cérebro.
A sua prevalência aumenta com a idade, sendo maior nos doentes com insuficiência cardíaca ou doença valvular cardíaca. Estima-se que a sua prevalência é de 0.4% da população global e de 10 a 20% da população idosa. É a causa mais frequente de internamento hospitalar por pertubações do ritmo cardíaco e a mortalidade nos indíviduos com fibrilhação auricular é cerca do dobro da dos indivíduos com ritmo sinusal normal. A presença de fibrilhação auricular está também ligada à ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC).
A fibrilhação ventricular é uma situação patológica caracterizada no ECG por um traçado irregular, de amplitude variada e ondas grosseiras. O prognóstico é muito mais grave do que na fibrilhação auricular já que a contracção dos ventrículos é ineficaz levando à morte em poucos segundos se não for rapidamente corrigida. É responsável por 90% das paragens cardio-respiratórias em ambiente extra-hospitalar.
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O que causa uma arritmia?
Uma arritmia pode ocorrer sempre que o sinal eléctrico que controla o batimento cardíaco é atrasado ou bloqueado. Isto acontece por exemplo quando o centro de controlo que produz estes sinais não funciona correctamente, ou quando o sinal eléctrico não faz o seu percurso normal. Há ainda uma outra forma de arritmia, que ocorre sempre que uma outra parte do coração começa a produzir sinais eléctricos, para além dos já produzidos pelo nódulo sinusal.

