Papiloma Humano: O vírus causador de cancro
O cancro não é uma única doença, mas sim um grupo de várias doenças caracterizadas por um aumento descontrolado do número de células. As células cancerosas proliferam de uma forma anormal, acabando por invadir e interferir com o funcionamento dos tecidos vizinhos. Todos os cancros são causados por alterações genéticas que vão ocorrendo ao longo da vida de um indivíduo. Algumas destas alterações acontecem espontaneamente, outras são causadas por factores do ambiente como, por exemplo, o fumo do tabaco, e outras ainda são causadas por vírus.
Os vírus são responsáveis por 15 a 20 por cento de todas as formas de cancro. Destes, o mais frequente é o cancro do colo do útero causado pelo vírus do Papiloma Humano.
Segue-se o cancro do fígado, provocado pelos vírus da Hepatite B e C, certos tipos de linfoma, causados pelo vírus de Epstein–Barr, a leucemia de células T do adulto, pelo vírus Linfotrópico de Células T Humanas, e o sarcoma de Kaposi causado pelo Vírus Herpes Humano tipo 8.
O cancro do colo de útero é o segundo cancro mais frequente na mulher, a seguir ao da mama. O cancro do colo do útero desenvolve-se sempre em mulheres infectadas pelo vírus do Papiloma Humano. No entanto, só algumas mulheres infectadas desenvolvem cancro.
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Existem mais de cem tipos diferentes de Vírus do Papiloma Humano, dos quais cerca de 40 infectam as células dos órgãos genitais. Destes, há aproximadamente 15 tipos capazes de causar cancro. Assim, quando uma mulher está infectada, importa saber de que tipo de vírus se trata.
Para tal faz-se um teste de genotipagem do vírus, ou seja este teste permite diagnosticar não só a existência do vírus HPV, como também identificar o tipo de vírus em questão.
O vírus do Papiloma Humano
Os vírus do Papiloma Humano (VPH) que infectam os órgãos genitais classificam-se em vírus de baixo risco (por exemplo, VPH6 e VPH11) e vírus de alto risco (por exemplo, VPH16 e VPH18), consoante a sua capacidade para causar cancro.
Os vírus do Papiloma Humano que infectam os órgãos genitais são transmitidos por contacto sexual. Por esta razão, as mulheres são infectadas quando começam a ter uma vida sexual activa.
Aproximadamente 20 a 40 por cento das mulheres jovens sexualmente activas são infectadas pelo vírus. Na grande maioria dos casos, a infecção é debelada pelo sistema imunitário e passa completamente despercebida. Mais raramente, a infecção torna-se persistente. Na população mundial, aproximadamente uma em cada 10 mulheres está infectada de forma persistente pelo vírus, sendo a prevalência da infecção variável entre regiões. Exemplos extremos são a Espanha com uma prevalência de 1,4 por cento e a Nigéria com 25,6 por cento. As infecções persistentes dão origem a sinais clínicos facilmente detectados num exame médico. Para além do cancro do colo do útero, as infecções persistentes por vírus do Papiloma Humano de alto risco podem dar origem a cancros na vagina, vulva, pénis, ânus e boca.
Não existe, ainda, nenhum medicamento para tratar a infecção pelo Vírus do Papiloma Humano. Assim, as medidas mais eficazes para evitar o cancro do colo do útero são a abstinência sexual ou a vacinação antes de iniciar actividade sexual. Importa salientar que as vacinas actualmente disponíveis são dirigidas contra os vírus de tipo 16 e 18 (VPH16 e VPH18), em conjunto responsáveis por cerca de 70 por cento dos cancros do colo do útero. Portanto, a vacina não confere protecção total. Por outro lado, a vacina não ajuda as mulheres que já foram infectadas. Por esta razão, é muito importante continuar a fazer exames ginecológicos, tanto as mulheres que nunca tomaram a vacina como as que foram vacinadas. As recomendações internacionais apontam para vacinar aos 12 anos e fazer um exame ginecológico de 3 em 3 anos, a partir dos 25 anos de idade.

