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Medicina Clássica e Medicina Chinesa…

1 Setembro, 2004 0

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é um sistema terapêutico com mais de 5000 anos. Esta medicina milenar é formada por vários troncos ou vertentes que lhe dão corpo e existência. O tronco mais conhecido é o da Acupunctura; no entanto, há muitos outros, como é o caso da Fitoterapia, Dietética, QiGong, Massagem, etc.

De todos, o mais complexo e fascinante é, sem dúvida, a Fitoterapia (terapia pelas plantas – Farmacologia Chinesa), não só devido à sua complexidade, mas igualmente ao modo de elaboração. Ao nível das patologias, a MTC é tão complexa e específica como a Medicina Ocidental. As duas partem de pontos divergentes de observação do paciente (energético e somático, respectivamente), mas ambas se esforçam para convergirem para um ponto comum, que é o restabelecimento da saúde do paciente.

Assim, o melhor para o paciente será a convergência e interacção entre estes dois métodos terapêuticos. Para os profissionais (Medicina Natural e Clássica), será muito benéfico, pois, terão possibilidade de interagir em alto nível no que respeita à pesquisa laboratorial e clínica.

A Acupunctura, por exemplo, isto já constatado por profissionais de Medicina Clássica, é espantosa a funcionar como anestesia (entenda-se analgesia), a tratar lombalgias crónicas, nas grávidas chega a maior parte das vezes a evitar a epidural na altura do parto, a nível pediátrico é igualmente eficaz para a miopia e para a asma, etc.

Assim, a MTC, para além de poder ser utilizada em algumas situações agudas, é altamente eficaz no campo da prevenção e igualmente em alguns casos crónicos (exemplos: infecções respiratórias de repetição, rinite alérgica, etc.).

A título de curiosidade, refira-se ainda que a MTC, tal como é eficaz a tratar humanos, também o é com os animais.

Por isso, a MTC é uma medicina a que todos podem recorrer, qualquer que seja o grupo etário ou sexo. No entanto, sairá beneficiada e grandemente favorecida se for efectuada conjuntamente com a Medicina Clássica. Isto já acontece no Oriente, em que as duas medicinas coexistem, os orientais demonstram assim, mais uma vez, a sua lucidez e perspicácia.

Tal como na Medicina Clássica, também na Medicina Chinesa existe pesquisa laboratorial, recorrendo-se para isso a voluntários humanos ou a cobaias, sendo isto mais evidente nos efeitos de alguns pontos de Acupunctura.

Apesar da sua antiguidade e provas dadas, a MTC tem ainda um longo caminho a percorrer e ainda mais nós, ocidentais, para entendermos verdadeiramente o seu mecanismo de acção, para que assim possamos ter mais e melhores resultados terapêuticos, com a ajuda desta medicina.

Verifica-se, actualmente, um crescente aumento de interesse dos profissionais de Medicina Clássica na MTC e uma adesão constante do público em geral, no entanto, há que entender que a Medicina Clássica também é verdadeiramente eficaz e tem sofrido um avanço impressionante. A genética e as neurociências, por exemplo, não param de nos impressionar com os avanços da última década.

É claro que, qualquer que seja a medicina, existem sempre limites. É na observação dos mesmos e na vontade de ir mais além que o profissional de saúde se pode destacar, é isso que o paciente espera de nós.

… no tratamento de patologias

Dr.ª Fernanda Fonseca
Especialista e docente em Medicina Geral e Familiar Espaço Biolux

A Medicina Convencional resulta de um saber acumulado ao longo de vários séculos de experiência clínica com doentes e as suas doenças. Os médicos sempre tentaram curar o doente, evitar o sofrimento, melhorar a qualidade de vida dos que adoecem e evitar o aparecimento da doença. Para que este objectivo fosse possível, era preciso conhecer o mecanismo da doença, ou seja, como se adoecia.

A curiosidade de como funcionamos, de como somos constituídos, de como adoecemos, impulsionou inicialmente os estudos anatómicos e, posteriormente, os fisiológicos. Com o advento dos progressos técnicos, a Biologia, a Física e a Química foram explicando cada vez mais acerca do modo como funcionamos.

A descoberta dos microorganismos provocadores de doença, assim como dos agentes para os combater, deu um grande impulso na farmacologia e no uso de drogas capazes de contribuir para combater a doença, as suas causas ou os seus agentes.

A Medicina Clássica evoluiu sempre descrevendo o organismo humano, comparando-o a uma máquina que, por vezes, avaria. No entanto, esta teoria tão mecanicista não explica satisfatoriamente a influência das emoções no aparecimento de doença ou a da atitude positivista na recuperação.

O encontro de culturas permitiu a difusão de ideias diferentes acerca do conceito de doença, das suas causas, abordagem e tratamento, complementando a explicação científica com uma perspectiva mais global, como é o caso da energética. Penso que o diálogo e a conjugação de esforços dos dois tipos de medicina, no sentido de provar a sua eficácia, isoladamente ou em conjunto, vai beneficiar muito o doente, assim como a evolução do conhecimento acerca do nosso ser, na sua plenitude terrena e cósmica.

Nota: Artigo baseado na Palestra «Saúde no Feminino», do dia 19 de Maio, organizada pela APAMCM – Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama.

Dr. Paulo Matos
Especialista em Medicina Tradicional Chinesa
(Acupunctura/ Fitoterapia) Homomédis

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