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Lutar contra o cancro da mama

1 Março, 2005 0

O concerto da Mariza, com o Alto Patrocínio de D. Maria José Ritta, no Palácio Nacional de Ajuda, no dia 28 de Outubro, marcou um passo importante para a visibilidade do cancro da mama como assunto de importância para debate público.

Parcerias com empresas são também muito importantes para a Laço. Já fizemos campanhas de sensibilização e angariação de fundos com Alliance Unichem, Dove, Charles e Be A Bag. Faz sentido escolher uma marca ou uma loja para apoiar uma causa importante. Assim, consumidores podem favorecer empresas que contribuem para a nossa comunidade. Do nosso lado, além do grande potencial financeiro de algumas empresas, também reconhecemos que parcerias com produtos e lojas são mais uma maneira de transmitir informação básica sobre o cancro da mama.

Qual é o futuro que a Laço quer ver? Um futuro próximo em que todas as mulheres em Portugal tomem cuidado delas próprias. As regras mais importantes:

• Ir ao médico uma vez por ano a partir dos 18 anos para fazer um exame clínico.

• Fazer mensalmente o auto-exame a partir dos 18 anos. Se encontrar alguma anomalia, consulte o seu médico.

• Fazer uma mamografia de dois em dois anos, a partir dos 40 anos (ou mais cedo, se for aconselhado pelo médico).

A mamografia permite detectar alterações mínimas e revelar nódulos que ainda não são perceptíveis à palpação, mas que são altamente curáveis.

• Ter uma alimentação equilibrada, rica em frutos e vegetais e em cereais com alto teor de fibras. Evitar as gorduras e os açúcares.

• Fazer exercício.

• Não fumar e beber com moderação.

A Laço quer um Portugal onde todas as mulheres tenham acesso à mamografia e, se for preciso, tratamento atempado de qualidade. A Laço quer ver a taxa de mortalidade do cancro da mama a baixar todos os anos, até ao último objectivo – zero.

Dr.ª Lynne Archibald
Presidente da Associação Laço

E aqui está o paradoxo do cancro da mama. Detectado precocemente, normalmente tem cura e precisa de intervenções muito menos radicais do que se for diagnosticado mais tarde. Mas, porque o cancro da mama é a doença que mais medo causa às mulheres, elas não fazem os exames diagnósticos. Por isso, 1500 mulheres em Portugal morrem por ano devido ao cancro da mama. A Associação Laço quer mudar isso.

A Associação Laço começou há quatro anos quando a Karen Bright, uma inglesa residente em Portugal, achou que não era suficiente ir ao funeral de uma amiga que tinha morrida com cancro de mama. A Karen sentiu que tinha de fazer mais – em honra da sua amiga e das muitas mulheres que lutam contra o cancro da mama aqui em Portugal.

Encontrámo-nos pela primeira vez em Outubro de 2000. Descobrimos que havia mais perguntas que certezas, mas acabámos a reunião com a decisão de fazer um almoço no Dia Internacional da Mulher – dia 8 de Março. O objectivo seria angariar fundos para a Liga Portuguesa Contra o Cancro (Núcleo Regional Sul) e chamar a atenção para o grave problema do cancro da mama. O almoço realizou-se e teve o apoio de muitas pessoas, empresas e organizações, e no fim houve muitas mulheres que acharam que devíamos continuar. Assim nasceu a Laço.

Hoje, a Associação Laço existe como Instituição Particular de Solidariedade Social, tem um sítio www.laco.pt e um grupo de voluntárias dedicadas. Nos últimos quatro anos, a Associação Laço angariou mais de 620.000 euros. Esse dinheiro já serviu para comprar três unidades móveis de mamografia totalmente equipadas para o Programa Nacional de Rastreio, gerido pela Liga Portuguesa Contra o Cancro. Mais de 37.500 mulheres já foram rastreadas graças a estas unidades móveis. Destas mulheres, mais de 285 receberam tratamento hospitalar em consequência do rastreio.

Mas angariar dinheiro para possibilitar o acesso à mamografia não chega. Por isso, a Laço realizou uma investigação quantitativa para uma melhor compreensão da percepção das mulheres portuguesas relativamente à questão do cancro da mama. Para comunicar a mensagem sobre detecção precoce, precisamos de compreender a melhor maneira de fazer chegar a informação essencial. Em 2005 esperamos voltar a estudar mais profundamente esta questão porque há muitas mulheres com acesso a mamógrafos que não fazem as suas mamografias.

Colaboração e sinergia entre grupos são essenciais. Por isso, trabalhámos com a Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRS) e a Sociedade Portuguesa de Senologia para organizar a primeira Semana Nacional do Cancro da Mama no fim de Outubro de 2004, uma iniciativa que voltará a acontecer em Outubro de 2005.

Em 2004, a semana incluiu um colóquio na Assembleia da República sobre o rastreio do cancro da mama em Portugal e uma exposição no átrio da Assembleia da República, sobre a situação actual do cancro da mama e do rastreio em Portugal. Houve murais apelativos e distribuição de postais informativos em muitos locais, além de anúncios sobre a importância do diagnóstico precoce em revistas nacionais.

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