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Infecção Urinária

19 Fevereiro, 2008 0

As infecções urinárias da mulher adulta são frequentemente não complicadas, embora possam ser muitas vezes recorrentes (recidivantes), na grande maioria dos casos por reinfecção. Há que ter fundamentalmente uma atitude de profilaxia, para além do tratamento dos episódios agudos, se a investigação básica não revelar factores predisponentes, de manutenção ou de agravamento.

Nos bebés e crianças, existem muitas vezes malformações congénitas associadas às infecções urinárias que é necessário investigar e tratar. Para além disso, as consequências das infecções urinárias na infância podem ser de muito maior gravidade para a função renal do que nos adultos, pelo que é obrigatória uma atitude muito específica neste grupo etário.

Nas grávidas as infecções urinárias podem ter, em alguns casos, consequências mais gravosas do que no geral, quer para a grávida, quer para o feto, pelo que as infecções urinárias devem ser despistadas e tratadas com os antibióticos apropriados para este estado.

No adulto masculino, as infecções urinárias têm quase sempre um factor predisponente obstrutivo, e com frequência existe um componente de prostatite, pelo que, também aqui, o seu significado tem a sua especificidade, e a atitude a tomar tem que levar isso em consideração.

A analogia do Cerco ao Castelo

De uma forma geral e muito simples, mas imaginativa e sugestiva, a infecção urinária pode ser comparada com um cerco a um castelo. Os inimigos (“mouros”, “castelhanos” “franceses”) são os micróbios. O castelo é o nosso organismo. Existem uns inimigos especialmente perigosos – uma família de “mouros” terríveis, (que são alguns micróbios Proteus), com que há que ter especial cuidado sempre que eles invadem o castelo. O castelo, na grande maioria das situações, está em bom estado, sem deficiências aparentes, sem “buracos”, e os inimigos entram porque as defesas – sentinelas – não são boas.

Umas vezes entram “mouros”, outras “castelhanos”, etc., conforme os inimigos que atacam, e para além do combate dessa altura, com eventuais reforços (os antibióticos), há que melhorar a qualidade dessas defesas com medidas gerais (ingestão líquida, esvaziamento vesical frequente, etc.) para evitar as reentradas periódicas. Quando isso acontece, essas infecções urinárias repetidas chamam-se infecções urinárias recidivantes por reinfecção.

Às vezes, apesar de aparentemente os inimigos terem sido vencidos com a ajuda de reforços (os antibióticos), fica um “espião” num esconderijo do interior do castelo, que abre depois e periodicamente as portas só aos seus “familiares e amigos” – os mesmos micróbios, sendo necessário descobrir e destruir o seu esconderijo (o factor de manutenção). Estas infecções urinárias repetidas chamam-se infecções urinárias recidivantes por recaída, e, existindo um factor de manutenção, têm um significado diferente das situações atrás descritas e mais frequentes de “más sentinelas – defesas fracas”, em que os inimigos que entram e reentram no castelo variam.

Outras vezes, o castelo tem alguma deficiência (algum “buraco”), e, nesse caso, existem factores predisponentes, de manutenção, ou de agravamento das infecções urinárias, que há que resolver simultaneamente, para impedir definitivamente a entrada dos inimigos (tratamento urológico simultâneo para erradicar a infecção). Finalmente, há castelos com características próprias especiais, em que estes aspectos fundamentais podem variar (bebés, grávidas, homens, etc.).

Dr. Manuel Mendes Silva
Chefe de Serviço Hospitalar de Urologia do Hospital Militar Principal
Presidente da Associação Portuguesa de Urologia

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