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Abordagem da hipertensão no contexto do risco global

20 Fevereiro, 2008 0

As novas recomendações europeias da HTA, apresentadas em Junho de 2007, estabelecem as regras de diagnóstico e tratamento dos doentes hipertensos, com base no cálculo do “risco cardiovascular global”.

Não se vê, não se sente, mas a verdade é que, quando não controlada, pode conduzir à morte. Fala-se, pois, da hipertensão arterial (HTA), tantas vezes denominada de “assassina silenciosa”. Devido à ausência de sintomas, muitos doentes deixam que a situação se arraste, porque, simplesmente, desconhecem os níveis da sua pressão arterial.

Através do último estudo epidemiológico nesta área, patrocinado pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão e apresentado pelo Prof. Mário Espiga de Macedo, chegou-se à conclusão de que cerca de 40% da população portuguesa é hipertensa e metade da qual ignora sofrer deste problema. Mas os números não ficam por aqui: do total dos doentes hipertensos, apenas 11% têm os níveis da sua pressão arterial controlados.

“É, de facto, uma matéria preocupante, principalmente se pensarmos que Portugal, comparativamente aos restantes países da Europa Ocidental, tem muito mais acidentes vasculares cerebrais (AVC): a principal causa de mortalidade no nosso País”, diz o Dr. José Nazaré, chefe de serviço de Cardiologia do Hospital de Egas Moniz.

Por estar intimamente ligada à ocorrência de AVC, a pressão arterial elevada deve ser alvo de uma “vigilância apertada”. Assim, como afirma o cardiologista, “para que se possa diagnosticar, é necessário que as pessoas façam medições regulares da pressão arterial, nas farmácias, em casa ou no consultório médico”.

As últimas recomendações europeias da HTA, elaboradas pela Sociedade Europeia de Hipertensão, em parceria com a Sociedade Europeia de Cardiologia, fixam as normas de diagnóstico e tratamento dos doentes hipertensos, enquadradas num contexto de risco cardiovascular global.

“Olhar para a hipertensão como um factor de risco isolado não é suficiente. É preciso considerar outros elementos, nomeadamente se se trata um doente diabético, se tem outros factores de risco associados ou se já teve, previamente, um evento cardiovascular”, prossegue.

Segundo o especialista, o conceito de normalidade da pressão arterial depende do tipo de doente e do número de factores de risco associados. “Se estivermos perante um doente apenas com HTA, sem outras complicações, o objectivo da terapêutica é alcançar valores abaixo dos 140/90 mmHg. Mas, se por outro lado, for um doente diabético, se tiver insuficiência renal ou houver registo de antecedentes de enfarte ou AVC, a meta será atingir níveis inferiores a 130/80 mmHg.”

Muito embora os medicamentos sejam uma “ferramenta fundamental” na normalização dos níveis de pressão arterial, o cardiologista defende que os resultados terapêuticos não devem depender, em exclusivo, da sua administração.

A modificação dos estilos de vida, de onde se inclui a cessação tabágica, prática de exercício físico regular (recomenda-se andar a pé 30 a 40 minutos diários), redução do peso e uma alimentação equilibrada, com baixo teor de sal, são medidas complementares que, em simultâneo, concorrem “para a diminuição dos níveis da pressão arterial e aumentam a eficácia dos medicamentos anti-hipertensivos”.

Classificação da PA (segundo as recomendações europeias)

– Pressão arterial “óptima”: valores abaixo dos 120/80 mmHg (milímetros de mercúrio: unidade de medição da pressão arterial);

– Pressão arterial normal: valores situados entre os 120/80 e os 130/85 mmHg;

– Pressão arterial “média alta”: quando os valores se situam no intervalo de 135/85 e 140/90. Segundo o especialista, “este grupo tem uma maior probabilidade de, nos anos seguintes, evoluir para uma situação de verdadeira HTA”. Recomenda-se, por isso, especial atenção para a modificação do estilo de vida e uma medição mais frequente da pressão arterial;

– Pressão arterial alta: valores acima dos 140/90. Dentro deste grupo, a HTA pode classificar-se como ligeira ou grave; nas palavras de José Nazaré, este grupo “necessita de instituição de terapêutica com fármacos”.

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