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Má nutrição em doentes oncológicos

18 Fevereiro, 2008 0

Muitos dos doentes com cancro têm dificuldades em manter um bom estado nutricional por falta de apetite, má absorção e dificuldades mecânicas na mastigação e deglutição que lhes produz a doença.

Este deficit nutricional influencia de forma negativa a sobrevivência do doente. A malnutrição energético-proteica (MEP) considera-se um factor de risco de mortalidade no cancro. A incidência de mal nutrição no doente varia entre 15-45% no momento do diagnóstico a 80% na doença avançada.

A doença oncológica é multifactorial e, desde o início do diagnóstico, deverá considerar-se o suporte nutricional como parte integrante do tratamento. O objectivo não é engordar o doente é nutri-lo. Proporcionar-lhe um estado nutricional aceitável melhorará a resposta ao tratamento, a qualidade de vida e o prognóstico da doença.

A presença e o grau de desnutrição vai depender do tipo do tumor, da fase da doença e do tratamento antitumoral recebido. As causas são múltiplas. Por um lado, produzem-se alterações metabólicas que alteram o apetite e a absorção de nutrientes.

Por outro lado, os tratamentos aplicados agravam ainda mais o deficit de ingesta de alimentos, dando lugar à deterioração do estado nutricional. O conhecimento destes factores e a sua detecção precoce é imprescindível.

A caquexia associada às doenças oncológicas é uma síndrome paraneoplásica caracterizada pela perda progressiva e involuntária de peso, astenia e incapacidade para realizar actividades mínimas.

Acompanha os estádios terminais das doenças crónicas. Surge em 2/3 dos doentes. As consequências clínicas da caquexia traduzem-se em emagrecimento com diminuição das reservas calóricas, anorexia com perda de apetite e saciedade precoce, astenia, debilidade, cansaço fácil, fadiga e diminuição da actividade física.

As alterações metabólicas passam por anemia ferropénica, edema por falta de proteínas, deficit de vitaminas e electrólitos, alterações neurológicas (apatia; irritabilidade), alterações digestivas (gastrite; diarreia) diminuição da imunidade com alterações cutâneas e predisposição para infecções.

Recomendações nutricionais

As recomendações nutricionais para evitar a MEP vão melhorar a tolerância aos tratamentos e a qualidade de vida. Estas recomendações devem de individualizar-se, tendo atenção ao tipo de alimentos ingeridos, à alteração dos hábitos alimentares, etc.

Deve de ser feito um estudo das necessidades do doente, sendo que, de forma geral, 55-60% da dieta à base de hidratos de carbono, 10-15% proteínas, 30% gorduras (7% saturadas, 8% polinsaturadas e 15% monoinsaturadas), com atenção ao aporte de vitaminas e sais minerais nas frutas e verduras e a uma correcta hidratação.

A falta de apetite poderá corrigir-se com alimentos variados, em pouca quantidade e muitas refeições, cozinhados simples, grelhados ou cozidos e evitando alimentos com excesso de gorduras.

Existem formas de atingir as necessidades nutricionais. Em primeiro lugar, com suplementos ricos em leite (em pó, condensado), farinhas ou mel, com a finalidade de enriquecer a dieta, aumentando as calorias sem modificar a quantidade. Às vezes, é necessário recorrer a suplementos artificiais, com pouco volume, mas ricos em energia, proteínas, hidratos de carbono e gorduras.

O suporte nutricional utiliza-se para estimular o sistema imune e corrigir as alterações metabólicas produzidas no organismo pela caquexia tumoral.

Os mais importantes são os ácidos gordos omega-3, como o acido eicosapentanoico (EPA), relacionados com a supressão das alterações metabólicas associadas ao cancro e com a estabilização do peso. A sua administração, em conjunto com proteínas e calorias suplementares promove a recuperação do peso, a restauração do tecido muscular e a um aumento da funcionalidade e da qualidade de vidas nos doentes oncológicos.

Maria Isabel Pazos

Assistente Hospitalar de Oncologia Médica
Instituto Português de Oncologia de Coimbra

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