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Infecção Urinária

19 Fevereiro, 2008 0

Por outro lado, em todas as idades e em ambos os sexos, as infecções urinárias causadas por bactérias que alcalinizam a urina, nomeadamente alguns Proteus, porque provocam a formação de cálculos (litíase), criam um círculo vicioso infecção – litíase que pode ser extremamente perigoso, porque é destruidor do órgão renal.

Quais os sintomas de uma infecção urinária?

Normalmente a infecção acompanha-se de sintomas que levam o doente ao médico. Se é a bexiga o órgão atingido, há um desconforto ou peso no baixo ventre, dor e/ou ardor a urinar, necessidade de urinar mais frequentemente e em pequenas quantidades, por vezes com dificuldade, e a urina está turva (suja) e algumas vezes muito mal cheirosa. Raramente há febre. Se é o rim que é atingido, há muitas vezes dor na região lombar, que pode simular cólica, e febre elevada.

No homem, a próstata é muitas vezes sede de infecção, levando a desconforto na região do baixo ventre, dificuldade e ardor a urinar e aumento da frequência das micções, com urina turva. Muitas vezes há febre elevada, arrepios e dores no corpo, confundindo-se com gripe ou infecção de outra origem.

As infecções urinárias nos bebés, ou crianças pequenas, muitas vezes cursam com sintomas vagos, como falta de apetite, atraso no desenvolvimento, febre baixa e irritabilidade anormal.

A infecção urinária pode, contudo, não dar sintomas e sinais, e o seu médico descobrí-la apenas quando executa análises urinárias de rotina.

Por outro lado, há casos em que existem sintomas que podem simular infecção urinária, nomeadamente da bexiga, mas em que, na realidade, não existem micróbios. São situações de inflamação, causada por outras razões de origem variada, mas que não a bacteriana.

Como fazer quando se suspeita haver uma infecção urinária?

Deve-se consultar o médico, que irá confirmar a presença de infecção urinária através de uma análise bacteriológica de urina. Esta análise será positiva quando existe um número de bactérias, por mililitro de urina mictada, clinicamente significativo, e inclui a identificação da estirpe bacteriana e um teste de sensibilidade aos antibióticos.

Por vezes, é necessária a realização de outras análises, de exames imagiológicos (ecografias e radiografias) e eventualmente de outros exames, para descobrir factores predisponentes, de manutenção, ou de agravamento, e para localizar a infecção e avaliar as suas consequências. Dá-se então início ao tratamento.

Tratamento

As grandes linhas do tratamento das infecções urinárias incluem:

1.Medidas gerais;
2.Tratamento antimicrobiano (antibiótico);
3.Tratamento urológico, que remova, em caso disso, os factores predisponentes, de manutenção e de agravamento.

1. As medidas gerais no tratamento das infecções urinárias são um complemento importante deste e da sua profilaxia, estimulando as defesas e melhorando os aspectos congestivos e irritativos locais.

Assim, aconselham-se:

– Aumento da ingestão hídrica – beber muita água e chás;
– Esvaziamento urinário frequente e completo;
– Cuidados gerais de higiene íntima, embora não excessivos;
– Evitar as situações de congestão pélvica, tais como:
– Viagens prolongadas, estar muito tempo sentado;
– Calças e cintas muito apertadas;
– Comidas e bebidas “irritantes”, como: condimentos, especiarias, álcool, café, bebidas ácidas ou alcalinas, etc.;
– Alterações do trânsito intestinal, nomeadamente obstipação;
– Alterações do foro ginecológico, relações sexuais traumatizantes.

Aconselha-se a micção após o coito, nas mulheres com actividade sexual.

Poderão ainda ser utilizados medicamentos ou substâncias naturais que estimulam o sistema natural de protecção (imunoestimulantes).

2. Quanto ao tratamento antimicrobiano, o antibiótico ideal será aquele mais adequado à bactéria em causa, com menos efeitos colaterais, de posologia cómoda e baixo custo. A dose e a duração do tratamento serão determinadas pelo médico, conforme as circunstâncias; eventualmente, em casos especiais de infecções recidivantes ou persistentes, poderá ter que se fazer um tratamento prolongado, de manutenção ou profiláctico, com baixa dose de um antimicrobiano seleccionado. Os casos especiais da gravidez e da infância põem alguns problemas específicos na escolha do antibiótico, assim como as prostatites, devido a especificidades de entrada de alguns antibióticos na próstata.

3. O tratamento urológico pode ser para eventual drenagem e/ou para remoção de factores predisponentes, de manutenção e de agravamento, por exemplo correcção de obstrução urinária, extracção de cálculos, etc.. Também é fundamental a correcção de factores gerais, como a imunodepressão, a diabetes e o abuso de analgésicos.

Conclusão

As infecções urinárias, de uma maneira geral, podem ser complicadas ou não complicadas, conforme existem ou não factores de agravamento que põem em risco os rins e a sua função, ou a própria vida. Esses factores de agravamento incluem a imunodepressão, a diabetes, o abuso de analgésicos e múltiplas doenças urológicas, sobretudo as que condicionam obstrução urinária.

Também as infecções causadas por micróbios que provocam cálculos (alguns Proteus) são consideradas complicadas. As infecções não complicadas podem causar sintomas aborrecidos e eventualmente severos, ser incapacitantes e impertinentes, mas não são graves, em termos de risco renal ou de vida. As infecções urinárias podem também ser agudas, crónicas (persistentes), ou recorrentes (recidivantes), neste caso com duas hipóteses:

1) por recaída, em que o mesmo micróbio que provocou a primeira infecção e ficou apenas “adormecido” com a terapêutica antibiótica instituída, volta a “acordar” pouco tempo depois, se as condições se tornam propícias para provocar a recidiva, como acontece normalmente se existem factores de manutenção;

2) por reinfecção (90%), em que é outro micróbio independente da primeira infecção, já curada, que invade o aparelho urinário pouco tempo depois, porque os mecanismos de defesa estão diminuídos.

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