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Incontinência Urinária

9 Março, 2007 0

Os bloqueadores dos canais de cálcio actuam como anti-espamódicos pelo que também podem causar aumento do volume do resíduo miccional e, eventualmente retenção urinária e incontinência por regurgitação.

Por fim os inibidores das enzimas conversores da angiotensina podem induzir episódios de tosse que pode causar incontinência de esforço em doentes com esfíncteres deficientes.

P – Os problemas psicológicos existentes nesta classe etária como, por exemplo, a depressão podem ser causa de incontinência que os doentes desenvolvem para chamar a atenção sobre os próprios.

E – O excesso de produção de urina, especialmente em doentes com dificuldades de mobilização, pode ser causa de incontinência.

Este estado pode ter origem em aumento da ingestão de líquidos, toma de diuréticos ou alterações metabólicas como a hiperglicémia ou hipercalcémia.

Esta alteração pode ser a causa de incontinência associada a noctúria pelo que merece uma atenção especial.

A noctúria é definida como a necessidade de acordar com a finalidade de urinar, mais que uma vez, durante a noite. Pode acontecer em consequência do aumento da diurese nocturna (chama-se nictúria) e, só por si, não é uma causa de incontinência; todavia, na presença de uma bexiga de pequena capacidade, instabilidade vesical ou diminuição da pressão de encerramento da uretra, o aumento da diurese pode levar a incontinência.

Uma das causas do excesso de produção nocturna de urina, especialmente nos idosos, é a existência de insuficiência cardíaca congestiva. Durante o dia estes doentes têm fluxo arterial baixo a nível renal e, por consequência, um filtrado glomerular baixo. Durante a noite o volume de sangue expelido pelo coração é o mesmo que durante o dia mas, como as necessidades do organismo são menores, existe um aumento do fluxo arterial renal e do filtrado glomerular e consequente aumento da diurese.

Outra causa de aumento da diurese nocturna é a inversão do ritmo circadiano da produção de hormona anti-diurética que se manifesta por razões desconhecidas.

Além das causas já mencionadas é importante entender que a dificuldade de mobilização e destreza também podem facilmente transformar a noctúria em incontinência. Um idoso que seja acordado durante a noite pela vontade de urinar e não lhe seja possível, por dificuldade de mobilização, chegar a tempo ao quarto de banho, terá certamente incontinência. O mesmo se passa se existir dificuldade na destreza e não conseguir apanhar o recipiente em que normalmente urina.

A maneira de lidar com estes problemas pode passar, num primeiro tempo, por diminuir a quantidade de líquidos ingeridos após o entardecer, se estes forem abundantes, ou então suspender produtos que irritam a bexiga como o café ou álcool.

A terapêutica inicial para este tipo de incontinência consiste numa tentativa de alteração de comportamentos, tais como acordar durante a noite para urinar ou então submeter-se a um treino que aumente a capacidade vesical.

A terapêutica medicamentosa terá lugar para, se possível, tratar a causa subjacente, como no caso de existir insuficiência cardíaca ou, em alternativa, administrar desmopressina para diminuir a diurese nocturna ou anticolinérgicos para aumentar a capacidade de acomodação vesical.

Por último, a destreza e mobilidade dos doentes poderá ser melhorada com fisioterapia ou administração de analgésicos.

R – A restrição da mobilidade, por causas evidentes como, por exemplo, artroses nos membros inferiores, é facilmente compreendida como causa de incontinência. No entanto esta restrição pode ter origem em factos que, numa primeira abordagem, não seriam valorizados como, por exemplo, hipotensão ortostática ou pós prandial, sapatos apertados ou grandes demais que causam dificuldade na marcha ou a instabilidade causada pelo simples medo de cair ao chão.

S – Os fecalomas são causa de incontinência urinária em cerca de 10% dos casos observados em consultas para idosos incontinentes. Um dos mecanismos desta associação poderia envolver a estimulação de receptores opióides. A suspeição desta situação deve surgir quando se manifestam simultaneamente incontinências urinária e fecal, em que fezes líquidas ou pastosas conseguem passar à volta do fecaloma.

Apesar da falta de estudos clínicos sobre estas oito causas de incontinência transitória, elas devem ser questionadas a todos os doentes nestas circunstâncias, porque a prevalência é grande e a possibilidade de reverter as situações e conseguir a continência também o é.

» Incontinência urinária crónica
Os quatro tipos de incontinência que se enquadram neste espaço são causados por hiperactividade do detrusor, por esforço, por regurgitação e funcional.

A prevalência da hiperactividade do detrusor situa-se, nos idosos que se queixam de incontinência, entre os 40% e 70%. As principais queixas são a imperiosidade miccional, que se descreve como uma vontade de urinar súbita e irreprimível que os impele a dirigirem-se rapidamente ao quarto de banho, e a perda involuntária que se segue se não chegam a tempo.

A imperiosidade é causada por um contracção forte ou muito forte do detrusor e que ocorre sem que a bexiga ainda esteja cheia; esta contracção leva a um aumento da pressão intra vesical e, se esta for superior à pressão de encerramento uretral, dará origem a incontinência.

A hiperactividade do detrusor pode ser parte de patologias que afectam o sistema nervoso central em que este não consegue inibir sinais sensoriais aferentes provenientes da bexiga dando-se, por isso uma contracção involuntária. Exemplos destas situações existem nos acidentes vasculares ou massas (tumores, aneurismas, hematomas) cerebrais, traumatismos vertebro-medulares, doenças desmielinizantes, doença de Alzheimer e de Parkinson.

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