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Incontinência Urinária

9 Março, 2007 0

Outras causas, ligadas à produção de urina, também se modificam com a idade, nomeadamente o seu ritmo circadiano que tem tendência a inverter-se por alteração da hormona anti-diurética ou do sistema renina aldosterona, e que levam a noctúria

Há ainda doenças que, juntamente com as alterações descritas anteriormente, também podem contribuir para a incontinência por alterações neurológicas como, por exemplo, a diabetes mellitus, hérnias discais, doença de Parkinson, acidentes vasculares cerebrais ou doença de Alzheimer.

Nenhuma destas alterações descritas e que podem surgir com a idade são, só por si, causa de incontinência mas predispõem para tal. Esta predisposição, aliada a estados patológicos que são vulgares nos idosos, aumenta a possibilidade de incontinência. Isto significa que há casos em que, ao ser tratada a patologia de base, pode ser corrigida a incontinência.

As causas da incontinência urinária podem ser múltiplas e, como já descrito, podem ter ou não, origem no aparelho urinário. Podem ser urológicas, ginecológicas, neurológicas, psicológicas, hormonais, ambientais ou iatrogénicas.

Classificação

Classifica-se a incontinência urinária dos idosos em dois tipos: transitória e crónica.

» Incontinência transitória
Este tipo de incontinência é causado por causas reversíveis que, na população idosa, se situam, de um modo geral, fora do aparelho urinário; todavia há dois pontos que merecem destaque.

O primeiro é que o risco de incontinência aumenta se, além das modificações fisiológicas que acompanham o envelhecimento, se juntam alterações patológicas.

Como exemplo pode citar-se o caso de doentes que têm uma fraca actividade do detrusor e a quem é receitado um anticolinérgico; como resultado podem desenvolver um quadro de retenção urinária crónica com incontinência por regurgitação. Outro exemplo serão os doentes que têm dificuldade na mobilização ou imperiosidade miccional e aos quais é administrado um diurético.

O segundo ponto é que este tipo de incontinência, embora chamada transitória, pode tornar-se definitiva, se não for tratada.

Existe, na língua anglo-saxónica, uma mnemónica, “DIAPPERS”, para descrever as causas da incontinência transitória e cujo significado, em português, é fraldas. Cada letra é a inicial de uma possível causa:

D – Delirium (Delírio)

I – Infection (Infecção)

A – Atrophic urethritis/vaginitis (Vaginite ou uretrite atrófica)

P – Pharmacologic (Farmacológica)

P – Psychologic (Psicológica)

E – Excess urine output (Excesso de produção de urina)

R – Restricted mobility (Mobilidade restringida)

S – Stool impactation (Fecalomas)

D – O delírio é um estado confusional caracterizado por uma falta de atenção flutuante e grande desorientação que pode ser causado por medicação ou por estados patológicos. Algumas dessas situações apresentam-se de modo atípico e a incontinência pode ser a primeira manifestação. A terapêutica assenta no tratamento da patologia de base.

I – Outra causa de incontinência transitória é a infecção urinária sintomática ou oligo-assintomática (polaquiúria e incontinência como únicos sintomas). A polaquiúria e a imperiosidade originadas por esta patologia, aliadas à dificuldade de mobilização, que é comum nesta classe etária, são a causa das perdas involuntárias. O tratamento é antibioterapia correcta.

A – A vaginite atrófica, caracterizada por atrofia da mucosa vaginal, que se encontra friável, por vezes com pequenas erosões e hemorragias punctiformes, provoca sensações de ardor e disúria. Na uretrite atrófica, causada também por diminuição de estrogénios, não existe uma coaptação eficaz na mucosa da uretra, permitindo a passagem involuntária de urina. Como terapêutica devem ser administrados estrogénios, nomeadamente tópicos, que, de um modo geral, aliviam as doentes.

P – A farmacoterapia também tem um peso apreciável nesta patologia, não só pelos efeitos primários, mas também pelos secundários. É costume dividir as drogas em seis categorias:

Sedativos ou hipnóticos, diuréticos, anti-colinérgicos, agonistas e antagonistas dos receptores adrenérgicos, bloqueadores dos canais de cálcio e inibidores dos enzimas conversores da angiotensina.

A primeira categoria provoca incontinência pelo estado de obnubilação que podem causar. Destes destacam-se o diazepam e o flurazepam.

Os diuréticos que actuam na ansa de Henle têm a capacidade de poderem provocar um aumento de tal maneira súbito da diurese que os idosos, por falta de mobilização, podem ter incontinência.

Os medicamentos com efeitos anti-colinérgicos, dos quais se destacam os tranquilizantes major, os antidepressivos, os anti-parquinsónicos, os anti-histamínicos de primeira geração, os anti-arrítmicos como a disopiramida, os anti-espasmódicos e os opiáceos podem causar retenção urinária com incontinência por regurgitação.

Estes medicamentos merecem uma especial atenção por duas razões. Primeiro porque muitas vezes os doentes tomam um ou mais de cada grupo e, segundo, porque alguns destes compostos existem em preparados que os doentes tomam sem prescrição médica.

Os antagonistas alfa-adrenérgicos, utilizados para tratar hipertensão arterial, podem causar incontinência de esforço por relaxamento do colo vesical e uretra. Pelo contrário, os agonistas alfa e beta adrenérgicos podem ser responsáveis por retenção urinária.

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