Hepatologia e Avanços no Tratamento do Carcinoma Hepatocelular
Em termos práticos, o carcinoma hepatocelular é um cancro susceptível de prevenção: evitando o consumo excessivo de álcool, a hepatite B através da vacina e a hepatite C não recorrendo à partilha de material empregue na droga e usando o preservativo em relações de risco. É um dos cancros claramente evitáveis.
O risco de hepatoma é de tal modo elevado, como vimos, na cirrose, que hoje em dia é ponto assente que todos os doentes com cirrose têm que efectuar ecografia de 6 em 6 meses de forma a se detectar precocemente o carcinoma hepatocelular. Nesta fase é susceptível de tratamento. A ecografia é de tal modo importante já que muitos carcinomas hepatocelulares podem surgir e crescer sem qualquer sintoma.
Quando diagnosticado em fase precoce, com menos de 5cm, se o indivíduo em questão tiver menos de 65 anos, poderá ser submetido a um transplante hepático, que é uma das formas de tratamento mais eficazes. Outros tratamentos com eficácia são a cirurgia, e métodos que procuram a morte das células do tumor injectando no seu seio álcool (alcoolização) ou fazendo passar corrente eléctrica (radiofrequência). A quimioterapia convencional não é nada eficaz. No entanto, recentemente surgiu um fármaco inovador, administrado por via oral em comprimidos, que interfere com o crescimento das células e dos vasos que alimentam o cancro. Chama-se Sorafenibe e é o primeiro medicamento que está associado ao aumento do tempo de vida neste tipo de cancro, habitualmente de muito mau prognóstico.
Em resumo, para prevenir o hepatoma, evite o consumo excessivo de álcool, a hepatite B e C; faça análises regulares para detectar se o seu fígado está alterado, apesar de não ter sintomas (peça ao médico para fazer a ALT), e se tiver cirrose não se esqueça de fazer uma ecografias de 6 em 6 meses.
Dr. Rui Tato Marinho,
MD, PhD Adviser of the Viral Hepatitis Prevention Board,
Presidente da APEF – Associação

