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As queixas prolongadas podem esconder outras doenças

1 Fevereiro, 2004 0

Vulgarmente conhecida como prisão de ventre, a obstipação resulta numa situação incomodativa, geradora de mal-estar.

A obstipação é uma situação que, em boa parte dos doentes, ocorre desde a infância, e se vai (ou não) agravando com a idade. É mais comum nas mulheres por várias razões, como a maternidade, um tipo de vida mais sedentário… ou a mulher se queixa mais…

Há sintomas acompanhantes da obstipação, que diferem de doente para doente e que podem ser traumatizantes, sobretudo quando surge uma constante sensação de peso no abdómen.

«A designação de obstipação será a dificuldade ou a não passagem de fezes durante algum tempo», indica o Dr. António Marques, gastrenterologista do Hospital de Santa Maria.

No entanto, o médico ressalva que «é uma definição extremamente variável, pois o ritmo do trânsito intestinal varia de pessoa para pessoa por diversas razões: os intestinos não são todos iguais, o estilo de vida de cada um é muito variável, como o são as diferenças na alimentação, etc.».

Existem, pois, condicionantes com implicação directa ou indirecta na funcionalidade do intestino. E porque não é um órgão isolado, torna-se muito depen­dente de tudo o que vai acontecendo ao longo do dia.

Assim, e de acordo com António Marques, não se pode definir obstipação, de forma igual para todos os obstipados. E devem-se considerar duas situações distintas.

«Uma situação ocorre quando, habi­tualmente, não se tem vontade de evacuar, podendo permanecer-se muitos dias sem o fazer. Ao fim de algum tempo, resulta um certo inchaço, uma sensação de peso no abdómen e mal-estar. Neste caso, o doente tem de recorrer a algo que o ajude a evacuar», diz o gastrenterologista, continuando:

«A outra situação acontece quando se tem um trânsito intestinal irregular, mas que a partir de determinada altura se dá uma modificação: o doente fica mais dias sem evacuar ou sofre uma alteração no tipo das fezes (mais duras ou mais fina) e isto implica pesquisarmos o porquê dessa alteração.»

Uma «laxante» solução

Apesar de a prisão de ventre não matar, mói. E de que maneira… para certos indivíduos!

Para que um eventual constante atazanar não prejudique o bem-estar, urge não deixar que o problema atinja as piores consequências. Encaixa-se nestas consequências a intolerabilidade para trabalhar ou dialogar, pois se a qualidade de vida é afectada e se o doente não se sente bem a nível físico, dificilmente sentir-se–á me­lhor para algumas tarefas do quoti­diano.

Como nem todas as obstipações são iguais e as queixas são diferentes, também nem todas as formas de as resolver são iguais.

«Não deve cada um resolver o problema por si, pois há pequenas variações pontuais. É necessário medicar uma pessoa que tem constantemente dores ao fim de três dias sem evacuar, por exemplo. Noutros casos, temos de fazer exames clínicos para perceber se existe alguma anomalia dentro do próprio intestino. Queixas mais prolongadas, sobretudo nas pessoas mais idosas, podem escon­der outras patologias», adverte António Marques.

Para quem somente sofre de obstipação, o tratamento passa essencialmente pelo uso de algum tipo de laxantes. Porém, antes de uma eventual automedicação, é aconselhável consultar o médico assistente.

«Para algumas pessoas, recorrer aos laxan­tes pode ser uma questão psicológica», comenta o especialista, exemplificando:

«Se um indivíduo que, regra geral, eva­cua de forma regular, num determinado dia não o consegue pode ficar preocupado e, por isso, querer tomar um laxante para provocar a evacuação.»

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