As queixas prolongadas podem esconder outras doenças
Mais vale prevenir…
Na perspectiva deste gastrenterologista, além de se tratar é fundamental prevenir a obstipação.
«Quando se tem vontade de evacuar não se deve esperar. Às vezes, não é possível – porque, por exemplo, se está numa reunião ou com um trabalho a decorrer –, mas assim que se volte a ter vontade não se deve evitar. O intestino não tem raciocínio próprio e se se puder resolver o problema de imediato é melhor para o intestino, porque se facilita o seu funcionamento, e, claro, para o bem-estar da pessoa», menciona António Marques, referindo-se a uma das muitas medidas preventivas da obstipação.
E aponta outras duas: «A quantidade de líquidos ingeridos durante o dia também é muito importante, assim como a maneira como se fazem as refeições e o tipo de alimentos ingeridos. Hoje em dia, as pessoas comem à pressa, sendo-lhes fácil ingerir comidas mais secas, provocando uma variação no funcionamento dos intestinos. Principalmente, aqueles que têm um intestino irregular, devem comer sentados e calmamente (pelo menos, ao jantar) para compensar a correria durante o dia.»
Ter uma alimentação rica e variada é outro imperativo. A consequência, como não poderia deixar de ser, será o normal funcionamento do intestino.
Ainda no que diz respeito à prevenção, há outros dois aspectos a interiorizar. Eles são o combate ao sedentarismo e, claro, ter uma actividade física regular.
«É importante fazer-se o esforço de andar um pouco a pé após o almoço e o jantar», aconselha António Marques, que não resistiu em salientar outra útil sugestão:
«Quem está obstipado deve beber um copo de água (sem estar fria ou quente) logo de manhã. Esta é uma medida óptima para lubrificar o intestino.»
O especialista conclui que «a forma como o doente aceita, ou não, o seu intestino e se habitua a conviver com ele é muito importante. Mas a obstipação não deixa de ser uma doença. Como tal, tem de fazer a sua prevenção e, quando necessário, deve fazer tratamento. É também importante não esquecer que à obstipação recente pode estar associado um acontecimento complicado».
Gases e obstipação
Beber líquidos é uma medida preventiva para a obstipação. Porém, nem todos os líquidos são aconselháveis.
«São de evitar os gasosos. Se, por um lado, dão uma sensação de plenitude e de ajuda numa digestão mais difícil, por outro lado, pode levar a uma acumulação de gases – o organismo absorve mal o gás», diz António Marques.
Abdómen distendido, sensação de enfartamento, dores e mal-estar é o que resulta da acumulação de gases, em especial se aliada a um trânsito intestinal lento ou a um intestino que funciona de uma forma obstipada. Estes sintomas acentuam quando as pessoas não expelem os gases porque não lhes é oportuno.
«Se as pessoas percebem que, na sua alimentação habitual, existem alimentos susceptíveis de provocar gases devem evitá-los», adverte o especialista.
O gastrenterologista não arrisca, porém, em afirmar que alimentos possam contribuir para a acumulação de gases, pois é muito variável de pessoa para pessoa.
Contudo, indica que «a maior parte das situações deve-se à grande quantidade de alimentos ingeridos – tente-se fazer várias pequenas refeições ao longo do dia – ao facto de se beber pouca água e de se comer pouca fruta e hortaliças. Há alimentos mais propensos que outros, tais como o pão em excesso, alguns produtos lácteos, as refeições pesadas, as frutas secas, o abuso dos molhos ou os enchidos».
António Marques avança outro conselho, que atenua a acumulação de gases, ao mesmo tempo que contribui para o melhor funcionamento do intestino:
«Deve-se variar o tipo de alimentos ao longo das semanas ou dos dias. Por exemplo, em vez de todos os dias se comer os mesmos flocos ao pequeno–almoço, deve-se comer, num dia duas torradas com manteiga e um copo de leite e num outro dia fruta e um iogurte. Assim como se devem variar as refeições principais, nos seus constituintes».

