Food for thought - Médicos de Portugal

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Food for thought

25 Julho, 2011 0

Quando leio textos sobre economia, e por entre tentativas de decifrar “economês”, não fico indiferente à tão proclamada causa de todos os males da portuguesa: a baixa produtividade. Imbuído por uma visão kennedyniana da cidadania, sempre me questionei como poderia contribuir, sendo nutricionista, para aumentar a produtividade da nossa sociedade do trabalho.

Ao acordarmos, depois de um longo período de jejum nocturno, o nosso organismo está ávido de energia e nutrimentos. Devemos satisfazer esta necessidade biológica seleccionando, de forma racional, um conjunto de alimentos para a refeição mais importante do dia: o pequeno-almoço.

Apesar de a maioria dos portugueses reconhecer esta importância, é relativamente frequente omitirem-no ou ser nutricionalmente escasso ou desequilibrado (deve fornecer 20-25% da energia diária).

Aqueles que saltam esta refeição justificam-se com falta de tempo ou a incapacidade de ingerir alimentos, particularmente sólidos, neste momento do dia. Outro motivo, em indivíduos que pretendem emagrecer, é acreditarem que ao fazerem menos uma refeição controlam mais facilmente a ingestão energética.

Esta atitude pode ser contraproducente, pois a falta do pequeno-almoço vai ser sobre-compensada com a ingestão, horas mais tarde, de refeições de elevado valor energético. Para além de contribuir para uma melhoria do estado nutricional, sugere-se que as actividades matinais que envolvam a função cognitiva beneficiem com a presença deste episódio alimentar. O seu consumo parece traduzir-se numa melhoria da velocidade e precisão de utilização de informação da memória visual e auditiva a curto prazo.

Como consequências da sua omissão, descreve-se uma diminuição do tempo de reacção, memória a curto-prazo, atenção e fluência verbal. Os que mais parecem beneficiar com a sua ingestão são as crianças e os idosos, especialmente se mal nutridos.

Alguns programas de implementação de pequenos almoços em ambiente escolar demonstraram melhorar as taxas de assiduidade e, em alunos mal nutridos, a performance académica. Oferecer um pequeno-almoço saudável parece ser uma medida efectiva na melhoria da performance, além de promover a sociabilização entre os colaboradores. O team building não se efectiva apenas em fins-de-semana radicais. Lembre-se, o dia corre bem, quando começa bem.

O pequeno-almoço deve incluir, inexoravelmente, uma fonte de hidratos de carbono. A glicose é a fonte principal de energia para o cérebro e, por conseguinte, a sua função depende de um adequado fornecimento. De facto, observa-se um aumento da captação da glicose pelo cérebro quando perante uma desafio exigente e do seu metabolismo nas áreas cerebrais relevantes para a execução dessa tarefa. Indivíduos com níveis mais elevados de glicemia e boa tolerância à glicose (capacidade para captar glicose do sangue para os tecidos) respondem mais eficientemente às tarefas cognitivas (tempo de decisão, por exemplo). Podemos melhorar a tolerância à glicose, ou seja disponibilizar mais eficientemente este combustível ao cérebro, se fizermos regularmente exercício físico e optarmos por refeições ligeiras e mais frequentes.

Parece ganhar consistência a ideia de que a ingestão de hidratos de carbono influencia positivamente a performance cognitiva, particularmente a memória verbal e a atenção em tarefas mais exigentes.

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