Veias sofrem!
Mais alongadas e mais tortuosas, têm um tom azulado ou arroxeado, evoluindo de tamanho consoante a dimensão da falência venosa. Algumas formam grossos cordões que se estendem da virilha aos pés.
Se ainda assim a saúde das pernas for negligenciada, corre-se o risco de o sangue estagnado originar tromboses venosas, formação de coágulos que causam obstrução da circulação, e que representam um risco de embolia pulmonar. Se o coágulo se soltar percorre a circulação até ao coração e daí para o pulmão.
Esta estagnação do sangue nos membros inferiores interfere com a oxigenação dos tecidos e a troca das substâncias que os alimentam, fazendo com que a pele comece a sofrer alterações, tornando-se, nomeadamente, mais escura e fina.
É neste estádio que surgem o eczema de estase – prurido, alterações da cor da pele, inflamação e inchaço em redor das varizes – e as úlceras – a pele, fragilizada, acaba por estalar sob pressão do sangue, abrindo-se uma ferida difícil de tratar (a cicatrização pode oscilar entre seis meses e dois anos ou mais).
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Tratar antes que agrave
Numa situação extrema, a doença venosa não tratada pode conduzir à incapacidade. Dado o risco é, pois, importante actuar o mais cedo possível, o que implica dar atenção aos sintomas de desconforto nos membros inferiores. Se o cansaço e a sensação de peso se mantiverem, é conveniente consultar um médico. O médico de família é adequado para uma primeira intervenção, podendo, se a evolução da doença o recomendar, o doente ser encaminhado para um especialista vascular.
Como profilaxia em situações particulares – gravidez ou elevada tendência hereditária – ou perante sintomas ligeiros e ocasionais, a contenção elástica é o primeiro dos recursos.
São as chamadas meias de descanso, que facilitam a circulação sanguínea.
Feitas com um elástico especial em forma de espiral, conferem um grau de protecção adequado a cada região da perna: quando a pessoa anda, os músculos vão sendo comprimidos a um ritmo próprio, começando pela barriga da perna e passando depois para a coxa, o que permite que o sangue vá progredindo em direcção ao coração.
Na primeira linha do tratamento estão também os medicamentos flebotropos – aumentam a tonicidade da veia, conferindo-lhe elasticidade e melhorando as condições de circulação sanguínea. Contribuem igualmente para reduzir a ocorrência de inchaço e as alterações da pele e dos tecidos adjacentes que estão associadas às flebites.
Quando a doença venosa se manifesta já através de derrames e pequenas varizes, a opção pode ser a escleroterapia: trata-se de um método que consiste na injecção nos capilares de um medicamento que vai secar os pequenos vasos dilatados, após o que são absorvidos pelo organismo.
A cirurgia é, quase sempre, a alternativa para as fases mais avançadas da doença, podendo ser feita em ambulatório (por exemplo laser) ou com internamento (com anestesia geral).
Quanto mais cedo se fizer a operação, mais simples os procedimentos e mais fácil a recuperação.
Mais nas mulheres
O tratamento da doença venosa passa também pela eliminação ou redução dos factores de risco. Todavia, o principal factor de risco é irreversível: o género feminino. É que as mulheres são o principal alvo desta patologia, se bem que ela também possa manifestar-se nos homens. Mas nas mulheres a “culpa” é das hormonas que estão associadas ao ciclo sexual e reprodutivo. Daí que a gravidez seja um dos momentos mais delicados no que se refere à circulação venosa, sendo comuns o inchaço nas pernas e os derrames.

