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Asma e actividade física

6 Novembro, 2011 0

Desde há mais de 2 mil anos que é conhecida a relação entre a asma brônquica e o exercício físico. Ou seja, muitos doentes asmáticos desencadeiam sintomas de asma quando praticam actividade física: cansaço excessivo, tosse, opressão no peito, pieira ou mesmo dificuldade em respirar. É a chamada asma induzida pelo exercício.

A importância desta situação advém de dois aspectos: o desconhecimento desta realidade por parte de muitos doentes e seus familiares, situação que pode estar na origem de problemas indesejáveis, e o benefício que representa para o doente asmático praticar actividade física.

Esta problemática está indissociavelmente ligada ao aconselhamento sobre o tipo de actividade física que o doente asmático deve praticar.

Muitos pais têm a crença errada que a criança asmática não deve praticar desporto. É frequente o médico ser confrontado com pedidos de declarações para que a criança seja dispensada das aulas de educação física. Esta crença, se bem que compreensível, é errada, havendo todo o interesse que a criança pratique actividade física regular.

Por outro lado, é importante haver uma orientação sobre o tipo de actividade física a praticar, já que algumas delas podem não ser benéficas.

As actividades desportivas desaconselháveis são as de longa distância praticadas ao ar livre, em ambientes de ar frio, seco, poluído, ou com níveis elevados de polinização. As corridas de atletismo ao ar livre, o ciclismo ou os desportos de Inverno estão entre as actividades que podem causar problemas. Também pode haver algumas restrições relativamente aos desportos subaquáticos, motorizados ou no montanhismo de alta altitude.

Consideramos como desportos de menor risco aqueles que são praticados em ambientes quentes e húmidos, longe dos pólenes, dos ácaros e da poluição. Assim, consideram-se os desportos aquáticos como os mais adequados ao doente asmático, permitindo e facilitando a sua actividade física regular: natação, pólo aquático, vela, remo, etc.

Os efeitos nefastos que o cloro da água das piscinas pode ter sobre o doente asmático está em vias de resolução, com o progressivo abandono deste método de desinfecção e a sua substituição por outros mais inócuos. Por outro lado, com a melhoria das condições de salubridade e de limpeza, que já se verifica na maioria das piscinas e que impede a sua infestação por fungos, estão a desaparecer os últimos obstáculos ao aconselhamento deste tipo de actividade física para os doentes alérgicos e asmáticos.

Porém, se a asma induzida pelo exercício pode ser exacerbada por determinados tipos de desporto, em princípio ela não deve ser impeditiva da prática do desporto de que verdadeiramente se gosta. Apenas é exigível uma orientação especializada, treino adequado e vigilância mais apertada. Não esquecer que atletas de elevada craveira como Rosa Mota, Miguel Indurain ou Nuno Marques, apesar de sofrerem de asma induzida pelo exercício, foram campeões nas modalidades desportivas que praticaram, à partida pouco indicadas para um doente asmático: atletismo de fundo, ciclismo e ténis.

Esta forma de asma tem, nos dias de hoje, um controlo mais fácil e eficaz que passa por um apertado controlo da doença asmática e pela respectiva prevenção, realizada através de medicamentos, quase sempre inalados antes do exercício físico. Quando inalados, estes medicamentos têm a capacidade de impedir o aparecimento das queixas ou minimizá-las para níveis aceitáveis, permitindo assim praticar desporto com tranquilidade.

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