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Quando o trabalho conduz à exaustão

7 Maio, 2010 0

É, então, face ao trabalho acumulado que se “geram quadros de stresse e ansiedade”. O funcionário, “quando confrontado com timings apertados” tende a “realizar o trabalho com menos qualidadedo que a desejada”, o que lhe “cria alguma angústia”. Esta conjugação de factores, a longo prazo, desagua “no esgotamento de recursos físicos e emocionais”. Daí que a sensação de exaustão “seja subjacente ao burnout”, continua a psicóloga.

Um dos sinais de burnout “é o distanciamento ao trabalho”. Esta indiferença é a solução encontrada para contornar o estado de exaustão é “afastar-se de algo que favorece o esgotamento de recursos”. Mas não só. “Esta situação acaba por se traduzir na ineficácia laboral”, porque os trabalhadores deixam-se abater pela apatia e não imprimem a qualidade necessária no trabalho.”

Alguns estudos relacionam a ausência de tempo de recuperação com o stresse exacerbado. “Se acumularmos cansaço ao longo de dias ou semanas, vai ser mais difícil quebrar o ciclo de exaustão e restabelecer as reservas energéticas.” Com a chegada do fim-de-semana, eis que surge o momento de abrandar o ritmo frenético da jornada de trabalho.

 

Segunda-feira “negra”

Findo o domingo, aproxima-se a hora de começar uma nova rotina de trabalho. “Existem pessoas que descrevem angústia e falta de energia, mal termina o fim-de-semana”, completa a psicóloga, admitindo que, para a grande maioria, “a segunda-feira é um dia difícil”.

Nos países anglo-saxónicos, este dia da semana foi baptizado por “blue Monday”. E tal designação não aparece por acaso. É, pois, ao domingo e à segunda-feira que se faz o “ritual” de preparação mental para a semana que se segue, motivo pelo qual “os trabalhadores são assolados pela falta de vigor”, afirma Maria José Chambel. E acrescenta que, em alguns casos, “os funcionários chegam mesmo a apresentar uma baixa produtividade”.

Há países, como na vizinha Espanha, que utilizam estratégias para “prolongar o período de descanso”. À sexta-feira, os funcionários “despedem-se” do trabalho mais cedo. Mas, em contrapartida, condensam as suas tarefas nos restantes dias, em prol de mais umas horas de descanso ao fim-de-semana. “Os estudos existentes nesta matéria são peremptórios: se o período de descanso for bem aproveitado, o bem-estar e a performance laboral ao longo da semana serão superiores.”

É comum assistir-se, nos momentos de maior aperto laboral, a excessivas maratonas de trabalho. Os horários de expediente estendem-se em função de uma única meta: cumprir prazos. E, em razão deste objectivo, não há mãos a medir na hora de honrar os compromissos de trabalho. O problema surge quando estas intensas jornadas, em vez de excepção, se transformam em regra.

Como explica Maria José Chambel, coordenadora do núcleo de Psicologia das Organizações da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, “por norma, os funcionários deveriam cumprir um horário de sete a oito horas diárias”. O resto do tempo, diz, “seria aproveitado para uma recuperação laboral”. Mas, face às exigências actuais, o horário pós-laboral, destinado a momentos de lazer, converte-se “numa espécie de apêndice“. E, deste modo, salienta a psicóloga, “torna-se difícil de delinear a fronteira entre “o trabalho e o lazer”.

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