Prisão de ventre: Uma passagem mais lenta
O que acontece quando se sofre de prisão de ventre é que as fezes descem muito lentamente pelo intestino, endurecendo nesse percurso devido à continuada absorção de água. Normalmente, os resíduos da digestão são impulsionados pelos músculos intestinais, que se contraem. É no cólon (intestino grosso) que ocorre a maior parte da absorção de água e do sal dos alimentos.
Ora quando a alimentação não é abundante em fibras e em água e/ou quando as contracções musculares são demasiado lentas e fracas, há uma contínua absorção de água, o que endurece e seca as fezes, passando pelo cólon mais devagar. Está então aberto o caminho para a obstipação.
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Líquidos e fibras
Na origem deste problema podem estar vários factores, desde logo uma ingestão insuficiente de líquidos e de alimentos que contêm fibras. Mas também é possível que a prisão de ventre seja consequência de se ignorar e adiar a vontade de ir à casa de banho, o que faz com que as fezes permaneçam demasiado tempo no intestino e vão secando. O sedentarismo é outra das causas comuns: a actividade física estimula o bom funcionamento do organismo e os músculos intestinais também beneficiam. Há outras situações que também podem afectar o trânsito intestinal – é o caso da gravidez, do envelhecimento e das viagens.
O mesmo acontece com algumas doenças, nomeadamente quando obrigam o doente a estar acamado (com grandes períodos de imobilidade).
Na lista de causas possíveis da prisão de ventre está também a insuficiência de sais minerais devido, por exemplo, a vómitos e diarreia. E ainda a toma de determinados medicamentos, como alguns usados no tratamento da doença de Parkinson, da hipertensão arterial e da depressão. Mas o uso excessivo ou incorrecto de laxantes, os fármacos usados para tratar a obstipação, também contribui para o problema: parece uma contradição, mas a verdade é que o organismo se habitua e perde a capacidade natural dos movimentos intestinais.
Na maioria dos casos a prisão de ventre resolve-se com a introdução de alterações simples ao estilo de vida. E neste sentido é fundamental aumentar a quantidade de fibras presente na alimentação – 20 a 35 gramas por dia pode ser suficiente. Para garantir uma ingestão suficiente de fibras deve optar pelos alimentos amigos dos intestinos, é o caso dos cereais integrais, das frutas e dos legumes frescos. Aumentar a ingestão de líquidos também é essencial – a água deve fazer parte do quotidiano, podendo ser complementada com outras bebidas, como chás ou infusões.
É igualmente útil incrementar o exercício físico, não necessariamente fazendo desporto, mas praticando alguma actividade que “faça mexer”. É bom para o corpo e para a mente, de uma forma geral, e para os intestinos também, na medida em que estimula os movimentos musculares.
Finalmente, há que reservar tempo para as idas à casa de banho: há que reconhecer a sensação de “intestinos cheios” e não adiar a vontade de evacuar, em nome de uma tarefa que é preciso acabar ou de qualquer outra justificação.
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