O santo remédio das águas termais
O futuro do termalismo
O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha acredita que a região «deve apostar no desenvolvimento do termalismo, como motor para o desenvolvimento socioeconómico, porque é aquilo que a diferencia de outras regiões. Sendo assim, tem toda a lógica que tenha sido decidido desenvolver a possibilidade de uma concessão, para parte do património termal, a entidades privadas, como possíveis investidores».
Em consequência, iniciou-se um processo de colheita de informação para se alcançar a revitalização do termalismo caldense com parceria entre o ministério da Saúde e entidades privadas.
É um projecto que está ainda numa fase inicial, mas que se pode revelar como uma estratégia de extrema importância porque, como refere Vasco Trancoso, «além de se desenvolver o termalismo em si próprio e de se recuperar todo o património, poderá desenvolver também em simultâneo indústrias de lazer, como a hotelaria, o golfe e o hipismo, capazes de criar mais emprego e diversificar a base económica regional».
Neste sentido, se surgir o projecto de uma concessão para uma nova unidade termal visa o aparecimento de um termalismo diferente do existente. Actualmente, no Hospital Termal há um termalismo mais clássico, mais voltado para a Saúde e para idades mais avançadas que sofrem de situações reumatológicas degenerativas.
Aliás «80 a 90% dos nossos termalistas sofrem de doenças do foro reumatológico e os restantes sofrem de doenças respiratórias, habitualmente do tracto superior como rinites e sinusites.»
Assim não haverá concorrência entre este tipo de termalismo e outra forma de termalismo a desenvolver com a concessão a entidade privada, que será mais direccionado para o lazer.
«Será um termalismo diferente, mais voltado para o sector do turismo e do lazer, com uma forte componente de diversão, eventualmente com massagens e aspectos lúdicos importantes. São actividades mais apreciadas por um sector de termalistas diferentes do que aqueles que frequentam o actual Hospital Termal», afirma Vasco Trancoso.
Podem ser termalistas mais jovens, muitas vezes famílias que ao mesmo tempo que se divertem com a água termal, também beneficiam em termos de saúde porque estão a atrasar o seu envelhecimento articular.
Além disso, o presidente refere também que hoje assiste-se «a um certo regresso à procura do ambiente termal – sereno e agradável – que se contrapõe à praia, porque há cada vez mais a consciencialização de que o excesso de sol pode trazer problemas para a saúde, ao contrário do termalismo que para além do bem-estar físico proporciona também um bem-estar mental, essencial ao equilíbrio da pessoa».
A aposta no desenvolvimento do termalismo é, deste modo, uma das direcções fundamentais que Caldas da Rainha pode assumir.
Serviços
• Sector de Inaloterapia
• Duche de Vichy
• Pedilúvio
• Manilúvio
• Serviço de Hidrologia
• Medicina Física e de Reabilitação
• Serviço de Reumatologia
• Fisioterapia (ginásio e salas de tratamento)
• Internamento
• Terapia da Fala
• Terapia Ocupacional
As águas milagrosas
A água termal das Caldas da Rainha é singular não só a nível nacional, mas também a nível internacional. Caracteriza-se por ser uma água sulfúrea – que contém compostos de enxofre –, mas, ao contrário da maior parte das águas sulfúreas do nosso País cuja mineralização anda à volta dos 200 a 300 miligramas por litro, a água das Caldas é altamente mineralizada, ultrapassando os três mil miligramas de sais minerais por litro. Magnésio, flúor, cloreto de sódio e sulfatos são alguns dos minerais presentes nestas águas.
Nascem com um pH neutro e a uma temperatura de 34,5 graus, são submetidas a um ligeiro aquecimento em banho-maria e utilizadas nos banhos com uma temperatura de 37/38 graus.
O Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar»
Em termos de saúde, o termalismo é uma forma de tratamento. Os tratamentos termais são admitidos e aceites pela comunidade médica. Neste caso, o Hospital Termal Rainha D. Leonor assume uma diferenciação em relação a outros espaços termais porque é o único que é do Estado.
Para o Dr. Jorge Pereira, coordenador da Sub-Região de Saúde de Leiria, «hoje em dia há uma tendência para a privatização, mas, de qualquer maneira, o Hospital Termal ainda se demarca dessa situação».
Sobre o futuro, e a hipótese de aproximação ao turismo com a criação de um espaço de lazer, Jorge Pereira salienta que «era importante enveredar por essa via. Precisamos de atrair mais jovens e mais estrangeiros».
Em todo o caso, o Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar, até pelos mais de 500 anos de vida». Por outro lado, o termalismo assume uma realidade e proporções diferentes do passado.
Antigamente as pessoas iam para as termas e consideravam as águas como milagrosas. Hoje, com os devidos estudos das águas, já se conhecem as características terapêuticas, o que possibilita uma utilização mais adequada.
De qualquer modo, as termas têm ainda outra vertente mais psicológica. «As pessoas quando vão fazer termas abandonam aquele ritmo diário de vida mais stressante permitindo um mecanismo mais facilitador dos resultados que são positivos, sobretudo nas doenças reumatológicas e respiratórias», conclui Jorge Pereira.

