O santo remédio das águas termais
As capacidades curativas das águas
Redução de dores e até de medicamentos e melhoria de qualidade de vida são os resultados destas águas que se consideravam antes milagrosas, mas que se sabe hoje que realmente têm características positivas para o tratamento e prevenção de determinadas doenças. A comprovar, o Dr. José Franco, director clínico, refere que «há doentes que chegam de canadianas e quando terminam os tratamentos já vão sem as canadianas. Por outro lado, os doentes sentem-se bem porque voltam sem recomendação médica».
Por outro lado, hoje em dia já se assiste também ao aparecimento de investigação médica, do ponto de vista científico credível, sobre as águas termais.
Vasco Trancoso explica que «há estudos e ensaios controlados com todos os parâmetros que levam a que sejam aceites pela comunidade científica como válidos e apontam para o grande interesse das águas com enxofre».
Exemplos deste cenário são estudos que sugerem o papel do enxofre no combate ao envelhecimento das articulações. Comprova-se que, após a absorção do enxofre pela pele, este deposita-se nas cartilagens articulares e evita a atrofia dessas cartilagens, traduzindo-se num mecanismo que retarda o envelhecimento articular.
Também há estudos que indicam o desaparecimento de certas células responsáveis pelas alergias na mucosa nasal, em caso de rinites alérgicas e sinusites, após a exposição às inalações com água mineral com enxofre.
«Passamos de um tempo antigo em que se explicavam algumas melhoras de problemas de saúde nas pessoas através do campo empírico para serem, hoje, certificadas através de ensaios médicos», salienta Vasco Trancoso.
Em todo o caso, José Franco alerta que é aconselhável repetir as termas de seis em seis meses porque o enxofre, quando entra na circulação do sangue e se dirige para as articulações, ao fim de seis meses é expulso através das fezes e da urina, sendo necessário fazer um novo «armazenamento».
Sobre a duração dos tratamentos, o director clínico relembra que os romanos definiram um período de 21 dias, que mais tarde entrou na gíria das termas. O que é certo é que a entrada do enxofre pela pele demora cerca de 21 dias, mas na terceira e quarta semana atinge uma estagnação. Deste modo, hoje em dia, fazem-se tratamentos durante duas a três semanas.
Hidrologia, reumatologia e medicina física e de reabilitação
No Hospital Termal podemos encontrar três áreas que se complementam entre si. São elas, a Hidrologia, a Medicina Física e de Reabilitação e a Reumatologia.
Os doentes chegam de todo o País e alguns até do estrangeiro. As idades e as patologias podem ser diversas, mas há uma maior frequência, na parte termal, para grupos etários mais avançados que apresentam um quadro de doen-ças mais relacionadas com o reumatismo. Porém, as doenças do aparelho respiratório, sobretudo das vias aéreas superiores são também habitualmente tratadas no Hospital.
De acordo com José Franco, «a água sulfúrea é boa para estas situações pela sua característica de ser anti-inflamatória, com uma acção analgésica e, ao nível do aparelho respiratório, com um efeito anti–histamínico. Podemos ainda acrescentar a acção trópica sobre a cartilagem, o que permite uma medida preventiva a todas as pessoas sem estarem doentes».
Na parte termal – hidrologia – a maioria dos doentes ronda os 40 a 65 anos, com algumas excepções, principalmente no que toca às afecções respiratórias em que os doentes são jovens em idade escolar. Na parte das vias respiratórias, o Hospital apresenta um sector das inalações com inaladores cournier, irrigações nasais e aerossóis simples e sónicos.
As artroses, espondiloses e outros problemas articulares, do foro reumatológico, constituem a maior percentagem de patologias que são tratadas através da hidrologia, recorrendo ao duche Vichy, aos banhos simples ou de bolha de ar, ao manilúvio e pedilúvio.
E para complementar os resultados da hidrologia, o Hospital integra mais duas especialidades – a reumatologia e a medicina física e de reabilitação – no Hospital Termal. Vasco Trancoso dá um exemplo:
«Se a água mineral é boa para evitar problemas articulares no que diz respeito às cartilagens, é também importante para situações de recuperação após operações de ortopedia às articulações e também em termos de medicina desportiva. Por exemplo, os jogadores de futebol podem fazer uma recuperação mais rápida dos seus problemas articulares depois de uma operação ao menisco e até treinarem mais cedo. Complementa-se o tratamento das águas com tratamento por agentes físicos.»
A medicina física e de reabilitação é a área funcional nas Caldas da Rainha e recebe pessoas enviadas pelos médicos com várias patologias, desde casos neurológicos, como AVC, paralisias e traumatismos, a problemas respiratórios (asma e bronquites) e do foro reumatológico (problemas da coluna). A reabilitação tem, por vezes, o apoio do internamento – com 12 camas – na fase inicial, passando posteriormente para ambulatório.
José Franco acrescenta ainda que «a Terapia da Fala e a Terapia Ocupacional inserem-se também na consulta de reabilitação, assim como o Centro de Desenvolvimento da Criança para situações em que os mais pequeninos nascem com problemas motores, contando com o apoio de uma equipa multidisciplinar. Vemos, portanto, que nesta vertente da reabilitação os doentes não se restringem apenas a um grupo etário, indo desde as crianças até aos idosos».

