O santo remédio das águas termais
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As águas milagrosas
A água termal das Caldas da Rainha é singular não só a nível nacional, mas também a nível internacional. Caracteriza-se por ser uma água sulfúrea – que contém compostos de enxofre –, mas, ao contrário da maior parte das águas sulfúreas do nosso País cuja mineralização anda à volta dos 200 a 300 miligramas por litro, a água das Caldas é altamente mineralizada, ultrapassando os três mil miligramas de sais minerais por litro. Magnésio, flúor, cloreto de sódio e sulfatos são alguns dos minerais presentes nestas águas.
Nascem com um pH neutro e a uma temperatura de 34,5 graus, são submetidas a um ligeiro aquecimento em banho-maria e utilizadas nos banhos com uma temperatura de 37/38 graus.
O Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar»
Em termos de saúde, o termalismo é uma forma de tratamento. Os tratamentos termais são admitidos e aceites pela comunidade médica. Neste caso, o Hospital Termal Rainha D. Leonor assume uma diferenciação em relação a outros espaços termais porque é o único que é do Estado.
Para o Dr. Jorge Pereira, coordenador da Sub-Região de Saúde de Leiria, «hoje em dia há uma tendência para a privatização, mas, de qualquer maneira, o Hospital Termal ainda se demarca dessa situação».
Sobre o futuro, e a hipótese de aproximação ao turismo com a criação de um espaço de lazer, Jorge Pereira salienta que «era importante enveredar por essa via. Precisamos de atrair mais jovens e mais estrangeiros».
Em todo o caso, o Hospital Termal é «uma instituição a acarinhar, até pelos mais de 500 anos de vida». Por outro lado, o termalismo assume uma realidade e proporções diferentes do passado.
Antigamente as pessoas iam para as termas e consideravam as águas como milagrosas. Hoje, com os devidos estudos das águas, já se conhecem as características terapêuticas, o que possibilita uma utilização mais adequada.
De qualquer modo, as termas têm ainda outra vertente mais psicológica. «As pessoas quando vão fazer termas abandonam aquele ritmo diário de vida mais stressante permitindo um mecanismo mais facilitador dos resultados que são positivos, sobretudo nas doenças reumatológicas e respiratórias», conclui Jorge Pereira.
Reza a história que a rainha D. Leonor, esposa de D. João II, seguia em viagem quando se apercebeu da existência de várias pessoas que se banhavam em poças de água quente e que afirmavam serem águas milagrosas. Diz-se também que a própria rainha se terá banhado nessas águas e curado, assim, uma ferida que tinha no peito.
Este acontecimento levou a que a rainha reconhecesse as propriedades terapêuticas das águas, tendo decidido, posteriormente, fundar o Hospital Termal, à volta do qual surgiram as primeiras casas e os primeiros habitantes das Caldas da Rainha.
«É a partir da construção do Hospital Termal que nasce a vila e mais tarde a cidade e o concelho», conta o Dr. Vasco Trancoso, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, desde Março de 1999.
Com a fundação do Hospital Termal, D. Leonor instituiu o chamado «Compromisso da rainha», um documento que foi considerado como o primeiro regulamento hospitalar do País, publicado em 1512, que, de entre os vários itens de funcionamento do hospital, refere que devem ser privilegiados os doentes com menos recursos económicos e assim tem sido ao longo dos séculos.
O Hospital Termal Rainha D. Leonor, fundado no final do século XV, é considerado por muitos autores o hospital termal mais antigo do mundo.
O Hospital conhece mais duas fases, uma no século XVIII com D. João V que ordena a sua reedificação e já no final do século XIX é Rodrigo Berquó o responsável por nova remodelação.
Situado nas Caldas da Rainha, o Hospital integra ainda o parque Dom Carlos I e a mata rainha D. Leonor, onde passa, no seu subsolo, o aquífero termal.
Todo este património, e mais algumas igrejas, nomeadamente a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, (classificado como Monumento Nacional) que integra o Hospital Termal, acaba por se juntar, em 1971, ao Hospital Distrital, formando o primeiro centro hospitalar do País, designado desde então por Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.
Esta instituição é singular no panorama da Saúde em Portugal, com o acréscimo de ser também a única estância termal do Estado.
Reaberto desde Agosto de 2000, o Hospital Termal Rainha D. Leonor encontra-se a funcionar a 50%, sendo que os projectos para os outros 50% já estão aprovados mas tem faltado o investimento para regularizar a situação.

