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O santo remédio das águas termais

16 Fevereiro, 2007 0

Hidrologia, reumatologia e medicina física e de reabilitação

No Hospital Termal podemos encontrar três áreas que se complementam entre si. São elas, a Hidrologia, a Medicina Física e de Reabilitação e a Reumatologia.

Os doentes chegam de todo o País e alguns até do estrangeiro. As idades e as patologias podem ser diversas, mas há uma maior frequência, na parte termal, para grupos etários mais avançados que apresentam um quadro de doen-ças mais relacionadas com o reumatismo. Porém, as doenças do aparelho respiratório, sobretudo das vias aéreas superiores são também habitualmente tratadas no Hospital.

De acordo com José Franco, «a água sulfúrea é boa para estas situações pela sua característica de ser anti-inflamatória, com uma acção analgésica e, ao nível do aparelho respiratório, com um efeito anti–histamínico. Podemos ainda acrescentar a acção trópica sobre a cartilagem, o que permite uma medida preventiva a todas as pessoas sem estarem doentes».

Na parte termal – hidrologia – a maioria dos doentes ronda os 40 a 65 anos, com algumas excepções, principalmente no que toca às afecções respiratórias em que os doentes são jovens em idade escolar. Na parte das vias respiratórias, o Hospital apresenta um sector das inalações com inaladores cournier, irrigações nasais e aerossóis simples e sónicos.

As artroses, espondiloses e outros problemas articulares, do foro reumatológico, constituem a maior percentagem de patologias que são tratadas através da hidrologia, recorrendo ao duche Vichy, aos banhos simples ou de bolha de ar, ao manilúvio e pedilúvio.

E para complementar os resultados da hidrologia, o Hospital integra mais duas especialidades – a reumatologia e a medicina física e de reabilitação – no Hospital Termal. Vasco Trancoso dá um exemplo:

«Se a água mineral é boa para evitar problemas articulares no que diz respeito às cartilagens, é também importante para situações de recuperação após operações de ortopedia às articulações e também em termos de medicina desportiva. Por exemplo, os jogadores de futebol podem fazer uma recuperação mais rápida dos seus problemas articulares depois de uma operação ao menisco e até treinarem mais cedo. Complementa-se o tratamento das águas com tratamento por agentes físicos.»

A medicina física e de reabilitação é a área funcional nas Caldas da Rainha e recebe pessoas enviadas pelos médicos com várias patologias, desde casos neurológicos, como AVC, paralisias e traumatismos, a problemas respiratórios (asma e bronquites) e do foro reumatológico (problemas da coluna). A reabilitação tem, por vezes, o apoio do internamento – com 12 camas – na fase inicial, passando posteriormente para ambulatório.

José Franco acrescenta ainda que «a Terapia da Fala e a Terapia Ocupacional inserem-se também na consulta de reabilitação, assim como o Centro de Desenvolvimento da Criança para situações em que os mais pequeninos nascem com problemas motores, contando com o apoio de uma equipa multidisciplinar. Vemos, portanto, que nesta vertente da reabilitação os doentes não se restringem apenas a um grupo etário, indo desde as crianças até aos idosos».

O futuro do termalismo

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha acredita que a região «deve apostar no desenvolvimento do termalismo, como motor para o desenvolvimento socioeconómico, porque é aquilo que a diferencia de outras regiões. Sendo assim, tem toda a lógica que tenha sido decidido desenvolver a possibilidade de uma concessão, para parte do património termal, a entidades privadas, como possíveis investidores».

Em consequência, iniciou-se um processo de colheita de informação para se alcançar a revitalização do termalismo caldense com parceria entre o ministério da Saúde e entidades privadas.

É um projecto que está ainda numa fase inicial, mas que se pode revelar como uma estratégia de extrema importância porque, como refere Vasco Trancoso, «além de se desenvolver o termalismo em si próprio e de se recuperar todo o património, poderá desenvolver também em simultâneo indústrias de lazer, como a hotelaria, o golfe e o hipismo, capazes de criar mais emprego e diversificar a base económica regional».

Neste sentido, se surgir o projecto de uma concessão para uma nova unidade termal visa o aparecimento de um termalismo diferente do existente. Actualmente, no Hospital Termal há um termalismo mais clássico, mais voltado para a Saúde e para idades mais avançadas que sofrem de situações reumatológicas degenerativas.

Aliás «80 a 90% dos nossos termalistas sofrem de doenças do foro reumatológico e os restantes sofrem de doenças respiratórias, habitualmente do tracto superior como rinites e sinusites.»

Assim não haverá concorrência entre este tipo de termalismo e outra forma de termalismo a desenvolver com a concessão a entidade privada, que será mais direccionado para o lazer.

«Será um termalismo diferente, mais voltado para o sector do turismo e do lazer, com uma forte componente de diversão, eventualmente com massagens e aspectos lúdicos importantes. São actividades mais apreciadas por um sector de termalistas diferentes do que aqueles que frequentam o actual Hospital Termal», afirma Vasco Trancoso.

Podem ser termalistas mais jovens, muitas vezes famílias que ao mesmo tempo que se divertem com a água termal, também beneficiam em termos de saúde porque estão a atrasar o seu envelhecimento articular.

Além disso, o presidente refere também que hoje assiste-se «a um certo regresso à procura do ambiente termal – sereno e agradável – que se contrapõe à praia, porque há cada vez mais a consciencialização de que o excesso de sol pode trazer problemas para a saúde, ao contrário do termalismo que para além do bem-estar físico proporciona também um bem-estar mental, essencial ao equilíbrio da pessoa».

A aposta no desenvolvimento do termalismo é, deste modo, uma das direcções fundamentais que Caldas da Rainha pode assumir.

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