Hidratar a saúde
Num dia, perdem-se vários litros de água, sendo que a sudação intensa (em consequência do calor ou de um esforço maior) ou perturbações digestivas como a diarreia e os vómitos persistentes podem aumentar a quantidade de água que se elimina. O importante é que haja equilíbrio. Uma pessoa saudável, em que os rins funcionem normalmente, deve ingerir entre litro e meio a dois litros de líquidos por dia (de preferência água), de modo a garantir que não há défice de líquidos. É que a água, além de fonte de sais minerais é também responsável pela regulação do seu equilíbrio no organismo: e quando se bebe o suficiente está-se a garantir também que a concentração de sais no organismo é a adequada. Quando há excesso de sais, os rins retêm água a mais, de modo a dilui-los, e em consequência há uma menor produção de urina e uma maior sensação de sede.
Já quando os níveis de sais minerais descem, é eliminada mais água para restaurar o equilíbrio salino. Ora é este equilíbrio que fica ameaçado quando a eliminação de água pelo organismo é maior do que a quantidade ingerida.
Dá-se então um aumento da concentração de sais minerais, nomeadamente sódio, responsável pela regulação dos líquidos extracelulares e do volume de sangue. É o início da desidratação.
O alerta chega ao cérebro, que desencadeia a sensação de sede. Se forem bebidos líquidos suficientes, o equilíbrio é reposto. Caso contrário, a desidratação acentua-se. E o corpo vai “secando”: boca e olhos secos, menos urina e com uma cor mais escura que o normal, dores de cabeça, tonturas, fraqueza muscular, cansaço e, naturalmente, sede são alguns dos sintomas Quando a desidratação é grave estes sintomas acentuam-se e outros surgem: a sede torna-se intensa, a boca e as mucosas ficam extremamente secas, a urina é ainda mais escassa e escura, o suor quase inexistente, a pele parece enrugada e perde elasticidade, os olhos ficam encovados, nos bebés as fontanelas afundam-se, a pressão arterial baixa, os batimentos cardíacos aceleram-se, pode haver febre, a irritabilidade instala-se e, nos casos mais extremos, ocorrem delírios e perda de consciência.
[Continua na página seguinte]
Sede mas não só
A desidratação acontece, muitas vezes, porque a pessoa não tem sede. E como não tem essa sensação, acaba por não ingerir líquidos com a regularidade e na quantidade devida. Há também que ter em atenção as situações em que a ingestão de líquidos deve aumentar, é o caso de ambientes de temperatura e humidade elevadas ou quando há prática de exercício físico intenso. Transpira-se mais, logo é necessário reforçar a quantidade de água ingerida para compensar a que foi perdida. Também as mulheres a amamentar devem beber mais líquidos que o habitual.
E é pela ingestão adequada de líquidos, portanto, que se contraria a desidratação. E nas situações mais ligeiras pode ser suficiente. Mas há situações, como por exemplo a diarreia ou vómitos persistentes, que podem necessitar de uma resposta adicional, nomeadamente para repor também os sais minerais: é essa a função das soluções orais de reidratação, pois contêm água e sais nas proporções adequadas, além de hidratos de carbono que facilitam a absorção intestinal. Para saber se estão indicadas na sua situação, aconselhe-se com um profissional de saúde. Em situações de desidratação grave pode ser necessária a administração intravenosa de fluidos, o que acontece em meio hospitalar.

