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Enxaqueca: Mais do que uma simples dor de cabeça

31 Maio, 2010 0

Atinge mais mulheres do que homens e pode ser um motivo justificado para as faltas ao trabalho. Nem sempre é uma “desculpa” como muitos a vêem. A enxaqueca tem características específicas. Pode aparecer ao fim-de-semana ou ter uma longa duração no tempo. Tudo o que sempre quis saber é respondido neste artigo. Curiosa?

As cefaleias ou dores de cabeça podem ser primárias e secundárias. “Quando as cefaleias são causadas por outras situações como traumatismos crânio-encefálicos, alterações oculares, como astigmatismo e glaucoma de ângulo fechado, acidentes vasculares cerebrais e muito mais raramente tumores cerebrais, falamos de cefaleias secundárias. Este grupo de cefaleias é pouco frequente, não constituindo mais de 10 a 15% do seu total”, explica o Dr. Jorge Machado, médico neurologista, consultor de neurologia do Hospital Militar Principal e presidente da Sociedade Portuguesa de Cefaleias (SPC).

Sabia que a enxaqueca é uma das cefaleias primárias ou seja, representa em si própria uma doença? E que se divide em vários sub-tipos? “Existe a enxaqueca sem aura e a enxaqueca com aura, representando cerca de 1/3 dos casos. A aura é um conjunto de sintomas com origem no cérebro, com duração habitualmente inferior a 60 minutos e precedendo, em regra, a cefaleia. O tipo mais frequente é a aura visual, sendo seguido pela aura sensitiva”, refere o especialista.

É mais frequente no sexo feminino e cerca de 3/4 dos doentes têm um familiar do 1º grau atingindo, o que atesta o importante componente hereditário. “No entanto, até ao presente só foram identificados três genes responsáveis por uma forma particular de enxaqueca, a enxaqueca hemiplégica familiar. Os doentes com enxaqueca têm um limiar à dor mais baixo, o que faz com que o mesmo estímulo seja suficiente para desencadear uma crise nas pessoas com enxaqueca, mas não nas que não têm enxaqueca”, indica Jorge Machado.

É também frequente o aparecimento da enxaqueca durante o período fértil das mulheres, ou seja, entre a menarca e a menopausa. Mas nem tudo são mais notícias porque “habitualmente na gravidez há uma redução apreciável do número de crises, principalmente nos segundos e terceiros trimestres. Na grande maioria dos casos, as crises cessam com a menopausa”, salienta o presidente da SPC.

É também conhecida a clara relação com o período menstrual. “A flutuação dos níveis de estrogéneos é desencadeadora das crises.”

 

Mais do que uma simples dor de cabeça

Os sintomas da enxaqueca vão muito além de uma vulgar dor de cabeça. É frequente o aparecimento de sintomas acompanhantes, como por exemplo, as náuseas e vómitos, a fotofobia (aumento da dor com a exposição luminosa), a sonofobia (agravamento da dor com os sons intensos) e a cinesiofobia (agravamento da dor com os movimentos da cabeça). “Por este motivo, a Organização Mundial de Saúde considerou a enxaqueca uma das doenças que provoca mais incapacidade, tendo afirmado mesmo que um dia com uma crise de enxaqueca severa é mais incapacitante que um dia com tetraplegia (paralisia dos quatro membros)”, acrescenta Jorge Machado.

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