Enxaqueca: Mais do que uma simples dor de cabeça
O diagnóstico da enxaqueca é sobretudo clínico. “Quando existe necessidade de recorrer a exames complementares por exemplo por modificação do padrão da enxaqueca ou por alterações do exame neurológico, os exames de eleição são a tomografia axial computorizada e a ressonância magnética encefálicas.
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Prevenção e tratamento da enxaqueca
É importante seguir alguns estilos de vida preventivos da enxaqueca. “Não saltar refeições, não abusar do álcool nem do tabaco e praticar exercício físico de uma forma regular são medidas a ter em conta”, segundo o neurologista. Saliente-se que “a obesidade constitui um dos principais factores de risco para a transformação de enxaqueca episódica em crónica”, diz-nos Jorge Machado.
A enxaqueca crónica é a forma com crises que ocorrem mais de 15 dias por mês, durante mais de três meses e na ausência de abuso medicamentoso. “A decisão de instituir medicação preventiva deverá ser baseada na frequência e na intensidade das crises. Em regra, quando ocorrem mais de duas crises por mês, há indicação para o tratamento preventivo.”
Um dos pontos muito debatido é a relação entre enxaqueca e doença cerebrovascular e cardiovascular. “Um estudo recente mostrou que a enxaqueca com e sem aura está associada a um maior risco para doença coronária isquémica e arterial periférica e a enxaqueca com aura adicionalmente a acidentes vasculares cerebrais. Este aumento de doença cerebrovascular em doentes com enxaqueca com aura é maior nas mulheres, principalmente se tiverem menos de 45 anos de idade, fumarem ou utilizarem anticoncepcionais orais. Como regra prática, poderemos desaconselhar a utilização dos anticoncepcionais orais nas doentes com enxaqueca com aura”, indica Jorge Machado.
Respostas objectivas para perguntas curiosas
Havendo tanta variedade de cefaleias, como é que os médicos as distinguem umas das outras?
A chave do diagnóstico está na história clínica: anamnese (entrevista) e exame físico, incluindo exame neurológico. No entanto, por vezes, é necessário recorrer a exames complementares.
Qual é a idade de início da enxaqueca?
Habitualmente entre os 15 e os 40 anos, mas pode aparecer na infância ou logo após a menarca (primeira menstruação). Se aparecer pela primeira vez depois dos 45 anos deveremos excluir outras causas.
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As crianças também podem ter enxaqueca?
Sim. A dor tende a ser bilateral, menos intensa e de duração mais curta. A fonofobia ou fotofobia podem ser deduzidas do comportamento de crianças pequenas, incapazes de descrever os sintomas. Os vómitos e olheiras podem ser exuberantes. As perturbações de horários de sono e refeições são factores precipitantes comuns.
O tratamento das crises de enxaqueca na criança é mais fácil do que no adulto. Uma boa rotina de sono dá habitualmente bons resultados.
Existe enxaqueca de fim-de-semana?
Há pessoas em que a enxaqueca aparece preferencialmente ao fim de semana. Estas crises podem ser precipitadas pela privação, excesso ou alteração do horário de sono, pela falha do pequeno-almoço ou do café habitual da manhã. A descompressão do fim-de-semana (suspensão rápida do stress socioprofissional), o abuso de bebidas alcoólicas ou de drogas também poderão ter algum papel desencadeante. Aconselha-se que estas pessoas ponderem as mudanças radicais de estilo de vida durante este período.

