Caspa: Um peso sobre os ombros
Quando os ombros são marcados por pequenos flocos brancos pensa-se logo em caspa. E assim é. Mas também é caspa quando essas partículas ficam agarradas ao couro cabeludo e quando marcam sobrancelhas e a região do bigode e da barba.
Não há um mas dois tipos de caspa. Uma é oleosa, mais correctamente designada por dermatite seborreica e, como o nome indica, estreitamente associada à produção de gordura pelo corpo. Doença de causa desconhecida, mas em que existe um fenómeno inflamatório causado pelo excesso de oleosidade devido à presença aumentada de certos fungos. Afecta as zonas onde se concentra o maior número de glândulas sebáceas: além do couro cabeludo, pode ser visível no centro da face e nos sulcos próximas das asas do nariz, mas também se pode esconder atrás das orelhas, nas sobrancelhas, nas pestanas, no bigode e na barba.
Pode até declarar-se na região central das costas, entre os seios e junto à púbis. A pele fica inflamada, denunciando-se através de vermelhidão e descamação: as escamas que se formam são oleosas, espessas e amareladas, aderindo ao couro cabeludo e causando comichão.
Por trás da inflamação pode estar uma alimentação pobre em minerais como o zinco e em vitaminas como as do complexo B, bem como variações hormonais, o stress (porque estimula as glândulas sebáceas) e infecções causadas por fungos (o pityrosporum ovale é o principal).
A versão seca da dermatite é que é conhecida por caspa. As escamas são diferentes: muito finas, brancas e secas, pelo que se libertam facilmente, caindo nos ombros.
Assim acontece devido a uma renovação acelerada das células do couro cabeludo, correspondendo as escamas que caem às células que vão sendo substituídas pelas que estão a ser fabricadas antes de tempo.
Mas nem sempre a causa é natural: a caspa seca pode resultar dos maus tratos a que o cabelo é sujeito: lavagens pouco frequentes, uso de produtos agressivos e de secador muito quente, escovagem intensiva, exposição excessiva ao sol.
Inflamatória mas não contagiosa
A dermatite seborreica é uma doença inflamatória, mas não é contagiosa, pelo que não se “apanha” caspa partilhando um pente ou uma escova. É crónica e recorrente – o que significa que vai e volta – mas trata-se. Na primeira linha do tratamento encontram-se os chamados champôs anti-caspa, à base de substâncias como o selénio, o zinco e o alcatrão. Podem ser complementados com medicamentos, alguns muito específicos – como os que eliminam o fungo causador da dermatite e os que ajudam a reduzir a inflamação e a aliviar a comichão – e outros que actuam sobre a oleosidade, diminuindo-a.
São cuidados que, numa primeira fase de ataque à caspa, devem ser diários: quer os champôs, quer as loções são bases de tratamento suaves precisamente para permitirem esse uso continuado sem agredirem o cabelo. Numa segunda fase, os cuidados anti-caspa devem ser alternados com a higiene habitual, sempre com produtos adequados ao tipo de cabelo e dirigidos para reduzir a oleosidade.

