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Esquizofrenia: Entre o mundo real e o imaginário

24 Outubro, 2009 0

Segundo algumas estimativas, a esquizofrenia afecta cerca de 40 a 60 mil pessoas em Portugal. O estigma e a falta de adesão à terapêutica estão entre as principais causas do insucesso do tratamento. Contudo, se a medicação for cumprida à risca, em 75% dos casos há uma redução das crises.

Em 1911, Eugen Bleuler usou, pela primeira vez, o termo esquizofrenia para definir uma patologia de foro psiquiátrico grave. Esta desordem “caracteriza-se por sintomas positivos (delírios e alucinações), sintomas negativos (falta de vontade e embotamento afectivo) e por quadros de tristeza e desmotivação, acompanhados por problemas de memória e atenção”, indica o Prof. João Marques-Teixeira, psiquiatra, professor da Universidade do Porto e director Clínico do Neurobios – Instituto de Neurociências.

De acordo com os dados disponíveis em Portugal, calcula-se que a esquizofrenia atinja entre 0,4 a 0,6% da população, “sem predominância de género”. O especialista considera que a eclosão dos sintomas agudos tem, geralmente, início depois da adolescência, entre os 18 e os 24 anos.

Apesar de não se conhecerem as causas desta patologia psiquiátrica, suspeita-se que o aparecimento dos primeiros sintomas se deva a razões genéticas. Contudo, João Marques-Teixeira diz que existem “factores ambientais (físicos, infecciosos, psicológicos, traumáticos e tóxicos, nomeadamente com a administração de substâncias de abuso)” que influenciam, sobremaneira, o surgimento da esquizofrenia.

Normalmente, a doença surge com “alterações na percepção ou na expressão da realidade”, muito embora as manifestações mais frequentes sejam as “alucinações visuais ou auditivas”. Esta patologia caracteriza-se, ainda, por “delírios persecutórios, desorganização do pensamento e da linguagem, assim como um grande défice social e profissional”.

 

Diagnóstico precoce é meio caminho para sucesso terapêutico

A esquizofrenia altera, por completo, “as rotinas do seio familiar onde o doente está inserido”. E, dado o impacto da doença, contribui para um desgaste emocional dos entes mais próximos. Embora em algumas situações o internamento hospitalar seja um meio de tratamento, João Marques-Teixeira admite que, de uma maneira geral, salvo raras excepções de elevada gravidade, “o doente diagnosticado e tratado precocemente pode fazer uma vida praticamente normal”.

Contudo, o diagnóstico envolve uma natureza “complexa e longitudinal”. Assim, “a melhor estratégia, perante uma alteração grave e súbita de comportamento de um adolescente ou jovem adulto, é pedir o apoio do médico de família ou de um psiquiatra”, acrescenta.

Caso a medicação seja iniciada numa fase inicial da doença e sem interrupções, “em 75% dos casos há uma resolução positiva, com um prognóstico favorável na resolução das crises”. Mas, para que isto aconteça, é preciso haver um envolvimento e uma psicoeducação do doente e da família.

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Para além dos fármacos (“os mais usados, actualmente, dão pelo nome de antipsicóticos atípicos”), decorrentes de avanços científicos que permitiram o desenvolvimento de novas “substâncias eficazes e com menos efeitos acessórios”, os tratamentos também implicam “o treino cognitivo e uma reabilitação psicossocial”. Porém, e apesar de todos os esforços, os clínicos e a família deparam-se com alguns obstáculos na adesão ao tratamento, já que nem sempre “o doente aceita a patologia (porque não tem consciência da mesma)”.

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