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Esquizofrenia: Entre o mundo real e o imaginário

24 Outubro, 2009 0

A somar aos factores intrínsecos do doente, “seguem-se as dificuldades de ressocialização” e o estigma da sociedade face à esquizofrenia. “Esta patologia suscita um sentimento de estranheza nas pessoas e induz a uma sensação de perigosidade”, o que se constitui um dos motores de discriminação social. “Os doentes com esquizofrenia sofrem, ainda, de falta de apoios no nosso país.”

 

Vida activa favorece recuperação

O filme “Uma mente brilhante”, lançado em 2001, relatava a vida de John Forbes Nash, um matemático exemplar que, a dada altura do seu percurso profissional, começa a sofrer de alucinações. O diagnóstico confirma a existência de esquizofrenia, o que o obriga a redefinir o seu rumo da sua vida.

Embora a esquizofrenia se confunda com a genialidade, o psiquiatra João Marques-Teixeira afirma que esta relação não passa de um “mito”. Segundo explica, “esta crença resulta, provavelmente, da bizarria comportamental dos génios”. Mas a ligação entre a doença e alguns prodígios intelectuais é a “mesma que existe em outras patologias de foro psiquiátrico”.

No entanto, sofrer de esquizofrenia também não é sinónimo de ignorância ou de debilidade mental. Um estudo dirigido por João Marques-Teixeira procurou precisamente avaliar a capacidade de aprendizagem destes doentes: “Os programas que facilitem a aquisição de estilos de vida mais saudáveis, em conjunto com a terapêutica e as medidas de natureza psicossocial, promovem uma maior integração social.”

Os resultados deste estudo indicam que o grau de satisfação dos doentes face ao papel mais dinâmico que representam na sociedade. “De um modo geral, as variáveis ligadas ao estado emocional e à motivação intrínseca são fundamentais para essa aprendizagem. Tudo o que estimule o doente para uma vida activa e com sentido tem um impacto positivo na evolução da esquizofrenia”, resume. Daí que se reforce a importância de um diagnóstico o mais precoce possível. Só assim se pode dar início a um tratamento adequado, que evite “um curso debilitante e com uma crescente insuficiência social”.

Jornal do Centro de Saúde

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