Enfarte do Miocárdio: o que é e como prevenir
O termo enfarte do miocárdio tem, para a maioria das pessoas, uma conotação sombria que surge associada à ideia de doença grave, invalidante e potencialmente fatal. Este conceito assenta, naturalmente, sobre o reconhecimento da importância do coração como órgão vital mas é também reforçado por um simbolismo particular que o coração adquiriu ao longo dos tempos.
Por exemplo, as civilizações antigas não o consideravam como um órgão mas antes como o centro do entendimento, do valor e do amor.
Também na civilização grega, um dos temas de debate dos filósofos centrava-se na localização da alma e as opiniões dividiam-se entre o cérebro e o coração. Com o início a era cristã, o coração passou a ser o emblema universal do amor sagrado e profano e é adoptado como o símbolo da bondade e caridade de Cristo.
Este simbolismo, associando sentimentos e valores tão nobres e elevados, perdura na nossa sociedade actual ainda que ao nível do subconsciente.
Não admira, portanto, que o coração mantenha uma aura de “órgão especial” e as suas doenças sejam particularmente temidas, sendo o enfarte do miocárdio uma das mais divulgadas. Este surge como um acidente de instalação aguda em que o indivíduo, em aparente estado de saúde, é surpreendido por um quadro clínico inesperado e muitas vezes dramático, quer pela sua intensidade quer pelas suas potenciais consequências.
O coração é essencialmente um órgão muscular cuja função primordial consiste em bombear o sangue. Como qualquer outro tecido do nosso organismo, para que este músculo funcione adequadamente, é necessário que receba oxigénio e substâncias nutritivas que geram a energia necessária para que o coração se contraia.
Estes elementos fundamentais chegam ao músculo cardíaco (miocárdio) através do sangue que é conduzido por uma rede de vasos sanguíneos que designamos por artérias coronárias. Estas artérias estão sujeitas a um processo de doença crónica, que evoluí ao longo dos anos e com a idade, a que chamamos aterosclerose.
A aterosclerose é a principal causa de morbilidade e mortalidade no mundo ocidental e industrializado. Uma das características fundamentais deste processo degenerativo consiste na formação de placas (ateromas) ricas em substâncias gordas (lípidos), no interior das artérias. O crescimento e ruptura destas placas criam condições locais que favorecem a coagulação do sangue que acaba por ocluir a artéria (trombose), impedindo que o mesmo circule e continue a irrigar o território muscular que está na sua dependência.
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O enfarte do miocárdio resulta precisamente da oclusão duma artéria coronária que tem como consequência, se não resolvida atempadamente, a morte (necrose) duma extensão variável de músculo cardíaco sendo a área atingida dependente da importância do vaso ocluído.
O desenvolvimento e progressão dos fenómenos ateroscleróticos nas artérias coronárias são favorecidos por um conjunto de situações que designamos por factores de risco. A prevenção do enfarte do miocárdio passa precisamente pela adopção de medidas que tendem a minorar ou corrigir esses factores:
Não fumar
Existe uma associação indiscutível entre tabaco e doença coronária. O fumo resultante da combustão do tabaco é composto por centenas de substâncias distintas, sendo a nicotina e o monóxido de carbono as melhor estudadas e as mais nefastas para o sistema cardiovascular.

