E depois do acidente vascular cerebral? - Médicos de Portugal

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E depois do acidente vascular cerebral?

2 Fevereiro, 2010 0

Considerado a principal causa de morte e de incapacidade entre a população portuguesa, o acidente vascular cerebral (AVC) continua a somar vítimas de todas as idades. No entanto, sabe-se que, após os 50 anos, o risco de ocorrer um evento desta natureza aumenta, duplicando a cada década. Descobrimos a história de Lídia dos Santos. Resistiu a um AVC, mas, após este episódio, o que mudou na sua vida?

Para contar a história de Lídia dos Santos, há que a dividir em dois actos: o antes e o depois de ter sido surpreendida por um AVC. Até Janeiro do ano 2000, os dias corriam a toda a velocidade. Os compromissos que tinha com a papelaria, da qual era proprietária, não lhe deixavam grande margem de manobra para abrandar o ritmo. “Andava sempre com stresse”, confessa. Por não se sentir bem fisicamente, decidiu “tirar uns dias”, já depois de se ter deslocado ao hospital, de onde saiu apenas com a indicação de que “seriam nervos”.

Quatro meses depois, no dia 26 de Abril, voltou ao hospital, onde acabou por ser internada. Na altura, segundo se recorda, a tensão sistólica (máxima) tinha disparado para 17. Mas as piores “surpresas” estavam para chegar no dia seguinte. “Fui tomar um duche, pelas oito da manhã, e, à hora do almoço, já estava paralisada do lado direito.” A partir deste momento, o seu dia-a-dia ficou completamento do avesso, por causa da obstrução da carótida esquerda: uma das artérias que irriga o cérebro. “O AVC desconjuntou-me a vida toda. Passei de uma mulher activa para uma mulher de 45 anos completamente paralisada do lado direito.”

Por cá, situações como esta não são caso único. Segundo os dados disponíveis, anualmente, registam-se perto de 16 mil casos de AVC no nosso país. Este número faz com que Portugal continue a ocupar a liderança na tabela dos AVC, comparativamente aos países da Europa desenvolvida. Para o Prof. Victor Oliveira, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de AVC, a elevada incidência destes eventos está, sobretudo, relacionada com a hipertensão. “Temos de lutar para que a percentagem de AVC baixe, minimizando os factores de risco modificáveis.”

Para que isso aconteça, apela à alteração de hábitos alimentares, nomeadamente no que diz respeito à redução do consumo de sal. Para evitar que o AVC lhe “bata à porta”, o neurologista ressalva a necessidade de combater outros factores de risco. “A prevenção primária passa por abandonar os hábitos tabágicos, reduzir a obesidade, controlar a diabetes, vigiar a tensão arterial e diminuir a ingestão de gorduras.” Só apostando na prevenção, refere, é que “consegue reduzir os números de AVC em Portugal”.

 

Vidas interrompidas

Quem sofre um AVC, questiona: “como é que isto foi acontecer”? Esta foi a pergunta que Lídia dos Santos também fez a si própria. “Nunca me passou pela cabeça, até porque tinha uma vida activa e praticava exercício. Pensámos que só ocorre com os outros”, diz. Após o AVC, teve de colocar um travão nos dias agitados. Passou a viver com algumas limitações e a usar uma bengala.

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