E depois do acidente vascular cerebral? - Página 2 de 3 - Médicos de Portugal

A carregar...

E depois do acidente vascular cerebral?

2 Fevereiro, 2010 0

Até as tarefas que, aparentemente, estão ao alcance de qualquer pessoa, como limpar o pó, deixaram de ser realizadas por Lídia dos Santos. Para Victor Oliveira, as sequelas de um AVC ocorrem quando não existe uma intervenção atempada, nas primeiras três a quatro horas e meia desde o início do evento. E por que razão é o AVC causa de mortalidade e incapacidade?

[Continua na página seguinte]

“Estes episódios podem ter duas origens: obstrução ou ruptura de um vaso que irriga o cérebro. São os chamados acidentes isquémicos e hemorrágicos, respectivamente.”

Quando ocorre o entupimento de uma artéria, “o sangue deixa de fluir e o tecido cerebral que dependia da irrigação daquele sangue inviabiliza-se e morre”. Esta obstrução relaciona-se, em larga medida, com o processo de aterosclerose: uma situação em que a gordura se acumula na parede das artérias e que favorece a formação de coágulos de sangue. “Significa que um trombo (ou coágulo), ao ser arrastado na corrente sanguínea, pode bloquear a circulação.

E isto acontece porque, à medida que se vai avançando na circulação cerebral, os vasos vão sendo mais estreitos.”

Já os AVC hemorrágicos estão associados à ruptura dos vasos cerebrais. Esta situação, comparável ao que acontece com a canalização das nossas casas, deve-se, fundamentalmente, ao aumento da pressão arterial. “Se um cano estiver, permanentemente, sujeito a uma pressão exagerada, o risco de rompimento é maior. É, por isso, que a hipertensão arterial deve ser combatida por todos os meios”. E uma das medidas apontadas para resolver esta questão é, precisamente, reduzir a ingestão de sal.

Lídia dos Santos admite que, após o AVC, o sal está praticamente excluído da sua alimentação. Em vez de cloreto de sódio, usa, agora, ervas aromáticas. E, se antes, “comia tudo” o que lhe apetecia, hoje em dia, aprendeu a disciplinar a sua alimentação. Também a medicação, aliada a uma dieta rigorosa, foi fundamental para que conseguisse prevenir a ocorrência de um novo AVC.

 

Recuperar de um avc

Depois de sair do internamento hospitalar, Lídia dos Santos deparou-se com uma dificuldade: o que fazer com as sequelas do AVC? “Graças à força de vontade e à fisioterapia consegui levantar-me da cadeira de rodas”, afirma. Se é verdade que, só 10% dos doentes conseguem recuperar-se integralmente, “a intervenção de um programa de reabilitação conduz a uma melhoria dos resultados funcionais na esmagadora maioria das situações”.

Para a Dr.ª Cecília Vaz Pinto, coordenadora da Unidade de Fisiatria do Serviço de Assistência Médico-Social (SAMS), “o objectivo da reabilitação no AVC é tornar o doente tão independente quanto possível, optimizando a sua qualidade de vida”. As sequelas físicas podem ser minoradas com a ajuda de programas, que, utilizando “técnicas de neurodesenvolvimento, de reaprendizagem motora (por repetição de tarefas), de treino de marcha com suporte parcial do corpo, entre outros exercícios”, permitem aumentar a plasticidade cerebral”.

Devido à falta de camas de reabilitação nos Serviços de Medicina Física e de Reabilitação (MFR) dos hospitais, os doentes têm de prosseguir as sessões de em regime ambulatório. “O internamento tem a vantagem de permitir uma recuperação intensiva e multidisciplinar com um período de tempo de tratamento superior a três horas. E isto permite-nos também uma melhor avaliação dos resultados.”

Páginas: 1 2 3

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.