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Doenças oncológicas: Fazer da prevenção um estilo de vida

15 Fevereiro, 2010 0

 

Importância da dieta

Ricardo Luz afirma que se “torna complicado dizer o que a pessoa pode ou não comer… Pois os estudos revelam-se contraditórios e pouco consensuais”. Refere que uns alimentos podem contribuir para a redução de tumores e outros para a sua emergência. Acrescenta que o importante “é comer-se com racionalidade, evitando o que faz mal, nomeadamente, produtos fumados que estão associados à ocorrência de cancro do estômago em Portugal. Neste momento, “estão a aparecer os cancros das sociedades ocidentalizadas, não existindo trabalhos que sugiram que um ou outro factor possa evitar o cancro em 30 ou 40%”.

Ressalva, no entanto, que “todas as medidas que servem para as doenças cardiovasculares podem ser extensíveis ao cancro”. A adopção e manutenção de um estilo de vida saudável traduz-se num factor de protecção face ao surgimento precoce das doenças cardiovasculares e de cancro, mas é errado falar-se numa relação de causalidade, sublinha o médico oncologista.

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Isto porque “nunca poderemos evitar que as pessoas venham a ter patologias e a falecer por doença. O que protege a pessoa é um conjunto de actos ligados ao estilo de vida saudável que deve ter e que visa fortalecer o sistema imunitário.”

Interessa prevenir mas também é fundamental a ocorrência de um diagnóstico precoce, para permitir o tratamento mais eficaz e célere das doenças, frisa Ricardo Luz.

 

Papel do médico de família no diagnóstico precoce

Segundo Ricardo luz, a interacção entre o médico de família e o doente é crucial, pois está nas mãos do primeiro dar sequência à solicitação de exames, consoante a apresentação das queixas por parte do doente. Afirma que “o médico de família tem que estar atento aos sinais de cancro, como por exemplo, à existência de um nódulo no peito ou um sinal que parece estar a evoluir”.

 

Avanços na terapêutica

O tratamento do cancro tem registado progressos substanciais, de acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, com impacto nas taxas de sobrevida (que subiram para o dobro) em muitas doenças, como por exemplo, nos cancros da mama e do cólon.

“Deu-se o aparecimento de várias formas de tratamentos com efeitos sobre as células malignas, nomeadamente, dos anticorpos monoclonais que constituem uma forma de imunoterapiaterapêutica-alvo- que se dirige a um alvo específico, com efeitos reduzidos nas células boas”. Ricardo Luz dá o exemplo da terapêutica farmacológica e da quimioterapia do cancro da mama que evoluíram e dão hoje respostas mais significativas a 25% dos casos das mulheres, cujos tumores apresentam uma característica (HER2 +).

Para além disso “hoje, controlam-se muito melhor os efeitos secundários dos medicamentos, como a susceptibilidade às infecções, do que há quinze ou vinte anos atrás”. O apoio psicológico aos doentes foi outra das áreas em que se registaram melhorias, item fundamental, num contexto em que se prevê um aumento do número de novos casos de cancro, nos próximos anos devido a uma maior longevidade.

“já que o cancro é uma doença das idades mais avançadas”, descreve Ricardo Luz. O especialista desmistifica a noção mediatizada de que a incidência de doença oncológica nas faixas etáriasmais jovens é superior à de décadas passadas, existindo mesmo uma ligeira redução em alguns tumores da infância.

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