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Doenças oncológicas: Fazer da prevenção um estilo de vida

15 Fevereiro, 2010 0

 

Papel do médico de família no diagnóstico precoce

Segundo Ricardo luz, a interacção entre o médico de família e o doente é crucial, pois está nas mãos do primeiro dar sequência à solicitação de exames, consoante a apresentação das queixas por parte do doente. Afirma que “o médico de família tem que estar atento aos sinais de cancro, como por exemplo, à existência de um nódulo no peito ou um sinal que parece estar a evoluir”.

 

Avanços na terapêutica

O tratamento do cancro tem registado progressos substanciais, de acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, com impacto nas taxas de sobrevida (que subiram para o dobro) em muitas doenças, como por exemplo, nos cancros da mama e do cólon.

“Deu-se o aparecimento de várias formas de tratamentos com efeitos sobre as células malignas, nomeadamente, dos anticorpos monoclonais que constituem uma forma de imunoterapia – terapêutica-alvo- que se dirige a um alvo específico, com efeitos reduzidos nas células boas”. Ricardo Luz dá o exemplo da terapêutica farmacológica e da quimioterapia do cancro da mama que evoluíram e dão hoje respostas mais significativas a 25% dos casos das mulheres, cujos tumores apresentam uma característica (HER2 +).

Para além disso “hoje, controlam-se muito melhor os efeitos secundários dos medicamentos, como a susceptibilidade às infecções, do que há quinze ou vinte anos atrás”. O apoio psicológico aos doentes foi outra das áreas em que se registaram melhorias, item fundamental, num contexto em que se prevê um aumento do número de novos casos de cancro, nos próximos anos devido a uma maior longevidade.

“já que o cancro é uma doença das idades mais avançadas”, descreve Ricardo Luz. O especialista desmistifica a noção mediatizada de que a incidência de doença oncológica nas faixas etáriasmais jovens é superior à de décadas passadas, existindo mesmo uma ligeira redução em alguns tumores da infância.

O incentivo à adopção de estilos de vida saudáveis reveste-se da máxima importância na prevenção do cancro, nomeadamente a aposta na divulgação de hábitos antitabágicos. “Quando se fala em prevenção, um dos grandes objectivos é que os fumadores deixem de fumar e fazer com que se torne difícil que as futuras gerações venham a fumar”, explica Ricardo Luz.

Mas, acrescenta, existem outros factores a equacionar, principalmente, a dieta, as bebidas alcoólicas e a actividade física. Porque importa ensinar hábitos de vida saudáveis desde cedo, o lema do dia mundial de luta contra o cancro intitula-se “as nossas crianças importam” e visa a promoção de uma socialização saudável na infância, reforça o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.

Afirma que as causas do cancro são multifactoriais, sendo provável que factores genéticos e ambientais expliquem a doença, embora sejam raros . “São vários os factores que contribuem para que o cancro possa aparecer, dependendo do tipo de doença oncológica em questão”, refere o especialista que aponta o tabaco como um dos principais responsáveis pelo surgimento de vários tipos de cancro.

“Diminui as capacidades de defesa e aumenta as complicações que as pessoas com cancro podem vir a ter”, justifica. Ricardo Luz adverte que, o abandono do hábito de fumar diminuirá de forma significativa a incidência de taxa de cancro do pulmão e de outros tipos, como por exemplo, da bexiga, mama, do estômago e esófago.

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