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Doenças cardiovasculares são principal causa de morte nos países desenvolvidos

1 Dezembro, 2004 0

Porque é que o tabaco faz mal?

Fumar eleva a tensão arterial e aumenta a frequência cardíaca. Também promove o aumento da adesividade das plaquetas e do número de glóbulos vermelhos e, por consequência, o sangue torna-se mais viscoso. Todas estas alterações vão promover a deterioração do estado da saúde do fumador, que passa a andar mais cansado, além de se habilitar a sofrer um enfarte ou um acidente vascular cerebral.

«Os cinco a seis litros de sangue que temos a circular no corpo passam a ter de movimentar-se em menos espaço, porque as artérias ficam mais estreitas devido à acumu­lação de placas de aterosclerose no interior das artérias», explica o Dr. Luís Negrão, médico de Saúde Pública da FPC.
Por outro lado, «o monóxido de carbono é um gás que ocupa teimosamente o lugar do oxigénio nos glóbulos vermelhos, agarra-se mais rapidamente à molécula de hemoglobina», avança o especialista.

«Isso quer dizer que a capacidade de transporte de oxigénio fica diminuída», chegando assim a sensação de cansaço típica dos fumadores. Então, o organis­mo aumenta a produção de glóbulos vermelhos para compensar esta lacuna. Assim, «passam a existir mais glóbulos verme­lhos, o que vai aumentar a viscosidade do sangue», reforça Luís Negrão.

Os membros inferiores também podem ser afectados pelo consumo de tabaco, nomea­damente, devido à insuficiência arterial, que pode levar à gangrena e amputação de membros. Tudo isto devido aos valores de colesterol que os fumadores apresentam – o total muito elevado, o HDL (que limpa a gordura que se acumula na parede das artérias) muito baixo –, que levam à formação de uma placa aterosclerótica.

«Quando a gordura se deposita no interior das artérias dos membros inferiores, temos a claudicação intermitente. Quando ocorre nas artérias do coração dá origem ao enfarte do miocárdio ou angina de peito. Numa terceira hipótese, quando o colesterol se deposita nas artérias cerebrais, pode conduzir ao acidente vascular cerebral», esclarece Luís Negrão.

Também o aparelho respiratório é afectado pelo consumo de tabaco. Uma das consequências que podem surgir é o enfisema pulmonar, fenómeno que contribui para aumentar o cansaço.

«O fumador produz mais muco do que os não fumadores e, para além disso, é mais incapaz de o expelir, o ar não é renovado, os alvéolos ficam dilatados, não funcionam, e o ar que está dentro dos pulmões não é completamente renovado. Estes indivíduos ficam sem capacidade de fazer chegar o oxigénio aos glóbulos vermelhos e, logo, cansam-se com facilidade», concretiza o especialista.

Mais mulheres fumadoras

De acordo com o último Inquérito Nacional de Saúde de 1998/1999, 19% dos portugueses são fumadores. O mesmo trabalho mostrou que para cada um dos grupos etários situados entre os 15 e os 45 anos, «a percentagem de fumadoras é maior do que a percentagem de fumadores», diz Luís Negrão.

Quanto aos indivíduos que nunca fumaram nem experimentaram, são mais os rapazes do que as raparigas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, «as despesas dos agregados familiares em Portugal relativamente ao tabaco tem vindo a aumentar e quanto maior for o nível de escolaridade dos indivíduos, menor os consumos das famílias em tabaco», remata Luís Negrão.

50% dos portugueses com excesso de peso

Má dieta despoleta factores de risco

A dieta pode ser determinante na prevenção de doenças cardiovasculares. Isto porque, «uma má alimentação pode desencadear vários factores de risco para a doença cardiovascular. O peso aumenta, pode chegar-se à obesidade e aumentam os valores de colesterol e da pressão arterial», esclarece a Dr.ª Elsa Feliciano, assessora de Nutrição da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

De acordo com os estudos mais recentes, cerca de 50% dos portugueses tem excesso de peso e, destes, cerca de 15% é obeso. A explicação para estes números está, diz Elsa Feliciano, nas «profundas alterações que se registaram na dieta e na prática de exercício físico nos últimos 25 anos em Portugal».

Por exemplo, os horários para comer mudaram, perdendo-se as merendas e as ceias para se caminhar claramente para apenas três refeições por dia, sendo o jantar a refeição a que se come mais.

«As pequenas refeições são muito importantes, na medida em que funcionam como controladoras do apetite para as refeições principais», explica Elsa Feliciano, acrescentando:

«Além do mais, hoje em dia substitui-se com muita facilidade alimentos conhecidos por novos produtos, publicitados pela indústria alimentar, sem se conhecer bem as suas características.»

Esta facilidade em experimentar o que é novo leva a que se coma, todos os dias, alimentos de que o organismo não necessita.

«Há trocas que não são benéficas como, por exemplo, substituir pão por bolachas de água e sal ou pães de leite, alimentos com mais calorias», salienta a nossa interlocutora.

Respeitar a Roda dos Alimentos

«Quando queremos emagrecer não devemos tirar fatias à roda dos alimentos», avisa a nutricionista, frisando a necessidade de comer um pouco de tudo, sempre com moderação. Aliás, é este o segredo para uma alimentação saudável: dosear bem os vários alimentos, fazendo uma dieta diversificada e equilibrada.

«Não há alimentos proibidos, é preciso é saber doseá-los», reforça Elsa Feliciano.

Na opinião da especialista, outro factor importante é a água: «deve beber-se muita água, com ou sem sede». As necessidades de água podem variar entre 1,5 e 3 litros por dia.

Quanto aos pais, Elsa Feliciano aconselha a que estes tentem estar a par do que os filhos comem quando não estão com eles.

«Enquanto estão no jardim-de-infância, é muito fácil controlar o que comem. Mas quando passam a ter mais autonomia, tudo muda. Muitas vezes, o dinheiro da refeição é gasto em doces ou outros alimentos que não são benéficos para a saúde», alerta a especialista.

É imperativo fazer um jantar saudável, por ser uma forma de contornar as avarias feitas durante o dia.

Segundo Elsa Feliciano, «é determinante incentivar os mais pequenos a comer sopa e a fazer várias refeições por dia».

Conselhos a reter

1. Consumir diariamente produtos hortícolas e fruta (sob a forma de sopa, saladas ou acompanhamento do prato principal);

2. Consumir, nas várias refeições do dia, farináceos (pão nas refeições intermédias, arroz, massa, feijão ou grão nas refeições principais);

3. Comer mais peixe do que carne (uma pequena quantidade de carne por cada refeição é suficiente);

4. Cuidado na selecção das gorduras ingeridas;

5. Fazer cinco a seis refeições por dia.

O que comer
e em que proporções?

A Nova Roda dos Alimentos é composta por sete grupos de alimentos, todos com diferentes dimensões, os quais indicam a proporção de peso com que cada um deles deve estar presente na alimentação diária:

• Cereais e derivados, tubérculos – 28%

• Hortícolas – 23%

• Fruta – 20%

• Lacticínios – 18%

• Carnes, pescados e ovos – 5%

• Leguminosas – 4%

• Gorduras e óleos – 2%

Rosalina Grilo

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