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Doença de Alzheimer manifesta-se normalmente depois dos 50

5 Outubro, 2004 0

Dia Mundial do Doente de Alzheimer Com o objectivo de apoiar doentes e respectivos cuidadores, o Prof. Carlos Garcia, neurologista, criou a APFADA, em 1988. Actualmente, tem vários serviços, como o Centro de Apoio Diurno e o Serviço de Apoio Domiciliário.
Cada dia 21 de Setembro comemora-se o Dia Mundial do Doente de Alzheimer. Como não poderia deixar de ser, a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA) não vai deixar passar em branco tal data. Agendou diversas iniciativas, tais como as campanhas de informação sobre a problemática da doença em centros comerciais ou a organização de um fim-de-semana especial para alguns associados na Casa de Oração de Santa Rafaela.
Ainda no âmbito da celebração deste dia, a Associação vai organizar um Seminário subordinado ao tema «Doença de Alzheimer na Família», nos dias 22 e 23 de Novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Do simples esquecimento à perda da memória «Deita-se muito cedo e antes olha constantemente para o relógio. Até parece que está a fazer horas para ir dormir. Certas noites, tem alucinações, não tem memórias, sobretudo as mais recentes, tem incontinência urinária, não se consegue vestir nem tomar banho sozinha. Não tem nada a ver com a pessoa que outrora foi», lamenta Fernanda Valente, referindo-se à sua mãe, Octávia Valente.
«Vivo com uma pessoa sem lembranças», desabafa Fernanda, recordando:
«Quando me divorciei, em 1985, fui viver para a casa da minha mãe com a minha filha, que agora tem 24 anos. Em 1998, comecei a estranhar o facto da minha mãe acordar tarde, pois era uma pessoa muito activa. Além disso, baralhava coisas tão simples como a confecção de certas refeições.»
Foi após a menopausa que Octávia, actualmente com 79 anos, começou a apresentar sintomas e comportamentos invulgares. Infelizmente, não estavam relacionados nem com a menopausa, nem com a morte do marido, quando tinha 48 anos, nem com o cancro da mama, diagnosticado em 1998.
O cancro foi erradicado com a mastectomia ao peito direito. Porém, a doença de Alzheimer não.
Desde que surgiram os primeiros esquecimentos, a evolução tem sido rápida, gradual e progressiva.
«Houve um dia em que olhou para a fotografia da neta e perguntou quem era. Já não se lembrava da Ana. Num outro dia chamou-me “mãe”», comenta esta ex-empregada de escritório, natural de Lisboa, prosseguindo:
«Em 2001 levei-a ao neurologista, porque a situação piorou consideravelmente. Nessa altura, tive a confirmação de que era portadora da doença de Alzheimer.»
E continua: «Julgo que a minha mãe não tem a noção do seu estado, apesar de estar dependente para quase tudo. Há momentos em que sinto um misto de dó e revolta, em que penso que não consigo aguentar mais esta vida difícil e triste e depois lembro-me da minha mãe no passado e naquilo em que se transformou. Para recuperar forças, em 2002, experimentei colocá-la num lar durante um mês, mas não consegui deixar de a visitar diariamente e, ao fim de oito dias, trouxe-a para casa, porque preferia ser eu a tratar dela.»
Todavia, desde Janeiro de 2004 que Fernanda consegue repousar – mente e corpo –, durante algumas horas por dia, devido ao Centro de Apoio Diurno, Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA). Trata-se de um serviço que possibilita que os doentes convivam ao mesmo tempo que libertam os cuidadores dos doentes.
«Vêm buscar a minha mãe de manhã e trazem-na por volta das três e meia da tarde. Sempre é uma altura do dia em que posso resolver os meus assuntos descansada.
A Associação é o único recurso que tenho», diz Fernanda Valente, mostrando uma fotografia da sua mãe ainda jovem.

Nova sede da APDP A Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDP) foi criada em 1984. Constituída basicamente por doentes, suspendeu as actividades, mas no início dos anos 90 voltou a ser dinamizada por doentes e familiares.
No dia 18 de Junho último inaugurou as novas instalações, cedidas pela Câmara Municipal de Lisboa.
Quanto ao Dia Mundial da Doença de Parkinson, é comemorado a 16 de Abril.

«Tenho medo de ficar totalmente dependente de outras pessoas» «Comecei a reparar que a minha escrita era cada vez mais miudinha, tinha dificuldade em manejar com papéis, sentia-me extremamente cansado e tinha uma certa dificuldade em fazer a barba», diz Jorge Manuel Sousa, referindo-se aos primeiros sintomas da doença de Parkinson, tidos há aproximadamente 16 anos.
Todavia, antes de descobrir a patologia, este engenheiro químico reformado, de 63 anos, foi a uma consulta de Ortopedia, devido ao cansaço excessivo. Nada foi diagnosticado, por isso consultou um reumatologista. A ausência de qualquer tipo de resposta ao invulgar cansaço fez com que fosse a uma consulta de Psiquiatria.

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