Degenerescência macular relacionada com a idade afecta 30 milhões de pessoas – «Negra sombra» entre o doente e o mundo
A incidência da patologia aumenta com a idade, porque as células receptoras da visão estão constantemente a ser renovadas. Mas, a partir de certa idade, essa renovação não é tão eficaz. Então, a acumulação destas células mortas começa a criar condições para o seu aparecimento.
Esta doença desenvolve-se ao longo de dois estágios: uma fase precoce mais comum e menos grave e outra fase mais grave e avançada. Esta última divide-se na sua forma atrófica (ou seca) e na forma exsudativa (ou húmida). A forma exsudativa é a principal responsável pela perda da visão central e mais de 80% dos casos de cegueira por DMI ocorrem nesta fase.
Bendito progresso
Segundo revela Paulo Rosa, «até há cinco anos, a DMI era uma doença pouco divulgada e a única forma de tratamento existente era o laser térmico, que só permitia tratar uma percentagem pequena de doentes».
Além disso, este tratamento pode destruir os tecidos sãos e essenciais à visão, sendo a terapêutica por laser quase tão lesiva quanto a doença em si.
Graças ao progresso, o panorama mudou no ano 2000, com o aparecimento de um tratamento mais específico, eficaz e bastante menos agressivo para as estruturas normais do olho – a terapêutica fotodinâmica. E, assim, passou a ser possível tratar quase todos os doentes com a forma exsudativa da doença.
Na terapêutica fotodinâmica é injectada na corrente sanguínea do paciente uma substância que vai dirigir-se aos vasos sanguíneos anormais, próprios da doença. Estes vasos, «extremamente frágeis, são os responsáveis pelas lesões provocadas nas células normais da retina, através de hemorragia e cicatrizes que deixam no centro da mácula», explica o oftalmologista.
Mais vale prevenir…
A perda da visão associada à degenerescência macular relacionada com a idade não tem de ser uma consequência inevitável do envelhecimento. A detecção precoce e o tratamento atempado podem controlar a progressão da doença.
«Na DMI um mês pode fazer toda a diferença. Assim, a partir dos 50 anos, todas as pessoas deverão ser observadas anualmente por um oftalmologista», aconselha Paulo Rosa, que acrescenta:
«Se uma pessoa com mais de 50 anos apresentar a visão distorcida, ondulada ou uma mancha escura que acompanha o olhar – algo que se nota mais facilmente quando se está a ler, ou melhor ainda, quando se fixa uma página quadriculada –, deve procurar imediatamente um especialista. Já os casos considerados de risco (com DMI em fase precoce ou até com um dos olhos já gravemente atingido) deverão ser vigiados com maior regularidade.»
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