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Dádiva de sangue » partilhar a saúde com quem a perdeu

1 Outubro, 2004 0

«Vai haver um acompanhamento muito próximo da evolução nesta matéria em cada Estado-Membro», garante o líder do IPS.

O objectivo, já se sabe, é que todos se rejam pela mesma bitola e que a qualidade e segurança do sangue doado em todo o espaço europeu estejam asseguradas.

Informações sobre a dádiva de sangue

O que são os grupos sanguíneos, quem pode receber sangue de quem? Como se compõe o sangue e que componentes podem ser utilizados? Descubra estas e muitas outras respostas a questões que eventualmente assaltam quem não está habituado a dar sangue.

O que é o sangue?
É um tecido constituído por várias células sanguíneas, suspensas num líquido que se chama plasma. O plasma é constituído por água, sais minerais, moléculas hidrossolúveis, como por exemplo a glucose e proteínas. As células sanguíneas são os glóbulos vermelhos ou eritrócitos, os glóbulos brancos ou leucócitos e as plaquetas. É a medula óssea que se encarrega da sua produção, sendo constantemente renovadas.

O sangue tem funções muito importantes e complexas entre as quais o transporte de oxigénio, nutrientes, hormonas, dióxido de carbono e outros produtos do catabolismo.

Os glóbulos vermelhos, que transportam o oxigénio, têm a particularidade de ser elásticos e deformáveis, permitindo assim um fluxo normal dentro dos vasos sanguíneos. Têm na sua membrana exterior elementos que são específicos para cada indivíduo, são herdados de pais para filhos e permitem diferenciar as células de uma pessoa das de outra pessoa – são os grupos sanguíneos. Os mais importantes na transfusão sanguínea são o sistema ABO e Rh.

Os glóbulos brancos podem ser classificados de acordo com as diferentes morfologias e funções – granulócitos, neutrófilos, eosinófilos, monócitos e linfócitos. Têm um papel muito importante na defesa do organismo contra os vários agentes infecciosos.

As plaquetas são as células mais pequenas do sangue, tendo cerca de 1/3 do diâmetro dos glóbulos vermelhos. São elas que actuam de imediato quando há uma hemorragia, formando o rolhão plaquetário que vai parar a hemorragia, tendo um papel muito importante na coagulação sanguínea.

Para que é necessário o sangue?
O sangue é necessário todos os dias para os doentes com anemia, doentes que vão ser submetidos a cirurgia, acidentados com hemorragias, doentes oncológicos que fazem tratamento com quimioterapia, transplantados, entre outros.

Todas estas situações necessitam de fazer tratamento com componentes sanguíneos. Enquanto um doente com anemia pode necessitar de uma ou duas unidades de sangue, um transplantado de fígado pode precisar de mais de 20 unidades de sangue e um doente com leucemia pode necessitar de mais de 100 unidades de componentes sanguíneos.

Quem pode dar sangue?
Todo aquele que tiver entre 18 e 65 anos, for saudável e, em consciência, não tiver comportamentos de risco. Não é possível fazer a primeira dádiva depois dos 60 anos. O homem pode dar quatro vezes por ano (de três em três meses) e a mulher menos uma vez, de quatro em quatro meses. É preciso ter um peso vizinho dos 50 kg.

Quando alguém se apresenta para fazer uma dádiva de sangue, é sempre realizado um exame médico. «Seja a primeira ou a vigésima vez que a pessoa dá sangue, em qualquer parte do País, todos passam pelo exame médico. Consiste em ver a tensão, auscultar e conversar com o dador. A primeira coisa a ter em atenção é a saúde deste, saber se está em condições para fazer a dádiva», salienta o director do IPS. Faz-se, ainda, uma análise rápida à hemoglobina do dador para despistar possíveis anemias ocultas. O segundo passo é perceber se o dador não tem nada que possa prejudicar o receptor. Esta percepção adquire-se através de uma conversa para perceber que estilo de vida é que tem, se é saudável, se tem comportamentos de risco, para poder ser aceite ou não para a doação.

Dar sangue não engorda, não enfraquece e não causa habituação.

Quanto sangue é retirado numa dádiva? Uma unidade de sangue total representa 450 ml. Cada indivíduo tem em circulação 5 a 6 litros de sangue, dependendo da superfície corporal. O sangue doado é rapidamente reposto pelo organismo. A unidade de sangue, depois de colhida, vai ser separada nos seus constituintes: glóbulos vermelhos, plasma e plaquetas ou crioprecipitado, conforme a opção.

Assim, uma dádiva de sangue pode beneficiar pelo menos três doentes. Não existe qualquer possibilidade de contrair doenças através da dádiva de sangue. Todo o material utilizado é estéril e descartável, usado uma única vez.

Existem muitas pessoas a dar sangue. O meu será preciso? É verdade, mas a procura de sangue, componentes sanguíneos e derivados não pára de aumentar graças aos progressos da ciência médica e ao avanço tecnológico, que permitem novas intervenções terapêuticas e tornam possível assistir cada vez mais pessoas.

As necessidades terapêuticas dos doentes exigem cada vez mais dadores. Mesmo o facto de já terem surgido no mercado substitutos artificiais para as transfusões de sangue, em determinado tipo de pacientes, não fazem diminuir a necessidade de haver dadores de sangue vivo. Apesar da entrada em cena destas moléculas produzidas pela biotecnologia, «vamos continuar a precisar, e muito, dos dadores de sangue. Não há nenhuma possibilidade séria, credível, que faça pensar o contrário», garante Almeida Gonçalves.

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